Trump: laços cripto pressionam CFTC, diz NYT
Investigação indica que empresas de criptomoedas ligadas à família Trump avançaram na CFTC apesar de alertas internos, enquanto técnicos que apontaram riscos foram afastados.
Uma apuração do New York Times descreve um cenário sensível dentro da Commodity Futures Trading Commission (CFTC). Segundo a reportagem, três empresas de criptomoedas com vínculos diretos ou indiretos à família Trump avançaram em processos regulatórios, mesmo diante de alertas técnicos consistentes. Ainda assim, servidores de carreira que questionaram essas aprovações teriam sido afastados.
As empresas citadas são Polymarket, Crypto.com e uma afiliada da Gemini, a Gemini Titan. Todas buscavam autorização para operar mercados de previsões. Nesse sentido, a investigação sustenta que conexões políticas e financeiras influenciaram o andamento dos processos, o que levanta dúvidas sobre a imparcialidade regulatória.
Além disso, as relações são detalhadas. A Crypto.com mantém parceria com a Trump Media. A Polymarket recebeu investimento de Donald Trump Jr. por meio de sua empresa de venture capital. Ademais, os fundadores da Gemini apoiam a American Bitcoin, projeto cofundado por Eric Trump. Assim, essas conexões ampliam o debate sobre conflitos de interesse no setor.
Alertas técnicos ignorados na CFTC
Falhas operacionais e riscos regulatórios
Funcionários de carreira da CFTC registraram preocupações formais sobre as operações das empresas. Em primeiro lugar, a Polymarket levantou dúvidas sobre a ausência de mecanismos robustos contra fraudes. Em seguida, a Crypto.com foi criticada por práticas consideradas desvantajosas para pequenos apostadores. Por fim, a Gemini Titan teria iniciado atividades antes de concluir uma revisão regulatória obrigatória.
Apesar disso, as empresas seguiram no processo de aprovação. De acordo com a investigação, levantar essas questões trouxe consequências diretas. Até o fim de 2025, dois funcionários foram colocados em licença administrativa. Além disso, outros três profissionais ligados à fiscalização do setor cripto perderam seus cargos. Dessa forma, o episódio sugere pressão interna e possível enfraquecimento dos controles técnicos.
O relatório também detalha a atuação de lideranças da agência. A então presidente interina da CFTC, Caroline Pham, e a conselheira sênior Brigitte Weyls teriam apoiado as aprovações, mesmo diante da resistência interna. Posteriormente, ambas deixaram a CFTC. Pham passou a atuar na MoonPay, anteriormente associada à Polymarket. Enquanto isso, Weyls assumiu como diretora jurídica da Gemini Titan, empresa envolvida nas aprovações.
Queda na fiscalização do setor cripto
Comparação entre administrações e impactos
Além dos afastamentos, a investigação aponta uma redução relevante nas ações de fiscalização da CFTC relacionadas às criptomoedas. Sob a atual administração, pelo menos cinco investigações ativas foram encerradas. Ao mesmo tempo, a agência anunciou apenas dois casos de enforcement, ambos voltados a operadores individuais.
Em contrapartida, o período anterior apresentou maior rigor. Durante o governo Biden, a CFTC iniciou mais de 80 ações de fiscalização no setor. Portanto, a diferença de abordagem sugere mudança significativa de prioridade regulatória, o que chama a atenção de analistas e participantes do mercado.
Paralelamente, outras controvérsias ampliam o debate. O bilionário Justin Sun moveu uma ação por fraude contra a World Liberty Financial. Ele alega que a empresa, ligada à família Trump, bloqueou mais de US$ 70 milhões em tokens em um esquema irregular. Em resposta, a companhia entrou com um processo por difamação. Assim, o litígio reforça a percepção de risco jurídico no ecossistema.
Além disso, uma transação internacional elevou o nível de escrutínio. Uma empresa de Abu Dhabi, apoiada pelo governo dos Emirados Árabes Unidos, investiu US$ 2 bilhões na World Liberty Financial. Esse movimento ocorreu ao mesmo tempo em que o governo Trump planejava enviar ao país uma grande remessa de microchips avançados de inteligência artificial. Dessa forma, a sobreposição entre interesses tecnológicos, financeiros e políticos intensifica o debate regulatório.
Impacto na governança e confiança
Em suma, os dados indicam que empresas associadas à família Trump avançaram em aprovações mesmo diante de alertas técnicos relevantes. Por outro lado, profissionais que levantaram preocupações enfrentaram afastamentos. Como resultado, a credibilidade da supervisão regulatória entra em xeque, sobretudo em um setor que depende de transparência e rigor.
Por fim, o episódio reforça a necessidade de governança sólida e processos claros. Afinal, a confiança institucional sustenta o desenvolvimento do mercado e influencia diretamente a percepção de risco por investidores e participantes.