Trump Media usa Bitcoin em opções e dívida de US$ 1 bi
A Trump Media ampliou sua reserva de Bitcoin para 14.139 BTC. Em 31 de julho, a posição estava avaliada em US$ 890,5 milhões. Contudo, parte dos recursos já sustentava opções, operações de rendimento e notas conversíveis de US$ 1 bilhão.
Os resultados do segundo trimestre chamaram atenção após a controladora da Truth Social registrar prejuízo de US$ 238,1 milhões. No primeiro semestre de 2026, a perda acumulada chegou a US$ 644 milhões.
Conforme o documento enviado à SEC, US$ 360,6 milhões do prejuízo decorreram de ativos digitais e garantias relacionadas. Bitcoin e Cronos recuaram durante o período.
Assim, o prejuízo trimestral saltou de US$ 20 milhões, um ano antes, para US$ 238,1 milhões. Ainda assim, a empresa aumentou sua exposição ao Bitcoin durante a retração do mercado de criptomoedas.
Em julho, a Trump Media vendeu US$ 159,6 milhões em valores mobiliários vinculados ao Bitcoin. Depois, utilizou os recursos para comprar a criptomoeda diretamente. A posição de 14.139 BTC representou alta de aproximadamente 22% ante os 11.554,5 BTC registrados em 30 de junho.
Reserva de Bitcoin sustenta opções e rendimentos
Em 30 de junho, a empresa já havia comprometido mais de 2.000 BTC com uma estratégia de opções. Paralelamente, transferiu uma parcela não divulgada da reserva a terceiros para gerar receita.
A companhia ofereceu 2.077,34 BTC como garantia a uma contraparte. Naquele momento, o montante valia US$ 122,1 milhões. Pelos termos do acordo, a contraparte pode reutilizar ou oferecer novamente essa garantia.
Na prática, os mesmos Bitcoin podem sustentar outras transações enquanto o contrato permanecer vigente. No encerramento do trimestre, a Trump Media mantinha opções de compra cobertas referentes a 1.445 BTC.
Os preços de exercício variavam entre US$ 62 mil e US$ 76 mil. Já as opções de venda cobertas envolviam outros 170 BTC, com preços entre US$ 55 mil e US$ 59 mil.
Esses contratos venceram em julho. Por isso, o documento não confirma se a empresa abriu posições semelhantes posteriormente.
Apesar da desvalorização da carteira subjacente, a estratégia gerou resultados positivos com derivativos. No primeiro semestre, a Trump Media reconheceu US$ 18,3 milhões em ganhos realizados e US$ 37,5 milhões em ganhos não realizados.
Contrapartes ampliam os riscos da estratégia
A companhia também passou a empregar uma parcela não divulgada de seus Bitcoin em empréstimos e outros arranjos de rendimento. Entretanto, não informou o volume alocado nem identificou as contrapartes envolvidas.
Alguns contratos permitem que terceiros utilizem os recursos livremente. Eles também podem reemprestar ou oferecer novamente os Bitcoin como garantia. Dessa forma, a Trump Media pode ter visibilidade limitada sobre transações posteriores.
Certos acordos permitem ainda a liquidação das garantias sem aviso prévio quando a empresa não atende às exigências de margem. Portanto, vendas podem ocorrer durante quedas acentuadas do mercado.
Outros arranjos podem não contar com garantias. Nesse cenário, a insolvência de uma contraparte poderia prender os Bitcoin em processos de falência. A Trump Media ficaria, então, na condição de credora sem garantia.
A empresa citou o colapso da FTX como exemplo de contágio que afetou o mercado de empréstimos com criptomoedas.
Notas conversíveis criam teste de liquidez
A exposição às contrapartes acompanha uma restrição financeira mais ampla. Em 30 de junho, a Trump Media mantinha 4.260,73 BTC como garantia de suas notas conversíveis.
Na data, esses Bitcoin valiam cerca de US$ 250,5 milhões. Enquanto as exigências do contrato continuarem vigentes, a empresa não poderá retirar ou distribuir livremente os recursos.
No fim do trimestre, a companhia também mantinha US$ 233 milhões em valores mobiliários e US$ 30,7 milhões em caixa restrito. Ambos respaldavam as notas.

A Trump Media captou US$ 1 bilhão por meio de notas seniores conversíveis garantidas em maio de 2025. O financiamento ajudou a empresa a estabelecer sua reserva de Bitcoin.
As notas vencem em maio de 2028. Antes disso, porém, os investidores terão uma opção antecipada de liquidez em 30 de novembro.
Nessa data, cada detentor poderá exigir a recompra das notas em dinheiro por 100% do valor principal. O pagamento também incluirá juros acumulados e ainda não quitados.
A opção não significa que os investidores exigirão a recompra. Mesmo assim, ela concede esse direito contratual e transforma novembro em um teste de liquidez para a companhia.
Cronos terá primeira janela relevante de venda
Uma exposição separada ao Cronos (CRO) se tornará parcialmente líquida em 26 de agosto. A posição já acumulava forte queda em relação ao custo de aquisição.
Em 30 de junho, a empresa detinha cerca de 756,1 milhões de CRO, adquiridos por US$ 113,9 milhões. O valor justo atingia US$ 40,6 milhões, cerca de 64% abaixo do custo.
A maior parte dos recursos ainda não pode ser vendida. A Trump Media adquiriu 684,4 milhões de CRO em agosto de 2025, sob um acordo com restrições de três anos.
A primeira restrição começará a ser flexibilizada em 26 de agosto. A partir dessa data, a empresa poderá vender até 68,4 milhões de CRO durante os seis meses seguintes.
Posteriormente, novas janelas permitirão vendas adicionais antes do término de todas as restrições, previsto para agosto de 2029. O documento não indica se a empresa pretende vender quando a primeira janela abrir.
O cronograma ocorre após um recuo na expansão planejada em CRO. Na semana anterior, Trump Media, Crypto.com e Yorkville Acquisition encerraram, por acordo mútuo, a proposta Trump Media Group CRO Strategy.
O projeto previa uma companhia de tesouraria negociada em bolsa, com grande reserva de CRO e bilhões de dólares em possível financiamento. Embora a transação tenha terminado, a posição própria de CRO permanece no balanço da Trump Media.