Tudo o que você precisa saber sobre CBDC, a moeda digital do Banco Central

CBDC promete combinar as transferências eletrônicas de dinheiro P2P com a influência econômica das moedas fiduciárias.

Uma CBDC é uma forma de dinheiro digital, semelhante a stablecoins, que governos de todo o mundo estão experimentando e estudando. Trata-se de uma alternativa ao dinheiro fiduciário tradicional que pode proporcionar uma série de vantagens únicas para as transações domésticas de determinado país e para movimentações internacionais, tudo isso com alta velocidade, segurança e baixos custos.

Muitos bancos centrais já se manifestaram sobre a possibilidade de emitir alguma forma de moeda digital até o fim de 2021, as iniciativas abrangem todos os continentes e avançam tanto em economias desenvolvidas onde o dinheiro pode desaparecer com o avanço da digitalização, como é o caso da Suécia, quanto em economias em desenvolvimento, em que o dinheiro físico é o único meio de pagamento disponível para o contingente de desbancarizados.

Por que o interesse do banco central em emitir moedas digitais?

Sem dúvidas que o ponto principal e que melhor justifica a emissão de moedas digitais por parte dos bancos centrais é acompanhar o processo de transformação digital dos pagamentos.

A pandemia, com todos aqueles cuidados e as medidas sanitárias de isolamento social aceleraram a mudança de hábitos em direção à preferência por pagamentos digitais. Isso ocorreu tanto pelo aumento do e-commerce e outras formas de compras remotas, quanto pela opção do público por métodos “sem contato” nas transações presenciais.

Hoje, os pagamentos já são facilitados por outras soluções digitais como sistemas de pagamentos instantâneos públicos ao estilo do Pix e soluções privadas de carteiras digitais, por exemplo. No entanto, essas soluções dependem do acesso a dinheiro privado, em geral na forma de uma conta bancária, e não resguardam o anonimato de pagadores e recebedores. Este é um diferencial que as CBDCs podem aportar aos consumidores.

No final das contas, uma CBDC opera de maneira similar ao dinheiro fiduciário. O que diferencia uma dessas moedas digitais das moedas tradicionais é algo essencialmente simples: uma existe fisicamente, enquanto a outra existe apenas virtualmente em uma rede blockchain.

Ou seja, a maior diferença está na aplicação da tecnologia e criptografia para reformular o sistema financeiro. Ao invés de dinheiro físico, se usaria uma versão digital, e ao invés de bancos, se usariam carteiras digitais emitidas por bancos centrais.

Tudo isso com a finalidade de reduzir os custos administrativos de se manter o atual sistema de pagamentos e para trazer maior agilidade e facilidade para transações. Já era hora de atualizarmos nosso formato de pagamentos e recebimentos.

O processo é longo.

Em agosto de 2021, havia 81 países, incluindo autoridades monetárias como a União Europeia, perseguindo um projeto CBDC de uma forma ou de outra. Eles representam 90% do PIB global.

Apenas cinco deles lançaram CBDCs até o momento. Todas são nações insulares do Caribe: Bahamas, Saint Kitts e Nevis, Antígua e Barbuda, Santa Lúcia e Grenada. 32 países  está em estágio de “pesquisa” e 16 países no estágio de “desenvolvimento”, que é quando as coisas ficam mais sérias à medida que os países desenvolvem provas de conceito e lançam estudos. 14 países estão agora na fase piloto: eles desenvolveram um CBDC que está sendo testado no mundo real.

Usando como exemplo o yuan digital, a primeira e mais desenvolvida CBDC, essa criptomoeda é completamente voltada para transações. Mais de 20 milhões de chineses já possuem suas carteiras digitais emitidas pelo Banco popular da China. Acessíveis através de aplicativos e conversíveis em caixas eletrônicos, um usuário pode realizar pagamentos digitais assim como são realizados com o internet banking.

Ou seja, é possível receber e enviar moedas apenas com o endereço da carteira digital e realizar pagamentos instantâneos, desde lojas físicas através de QR code e outras tecnologias, até boletos, assinaturas e compras online. Essencialmente, não muda muita coisa para quem já está acostumado com finanças digitais, e pode até parecer “meio atrasado” tudo isso, mas para a grande massa, ainda é tudo muito novo ou nunca ouviram falar em criptomoedas.

O Brasil de olho na tecnologia.

O Banco Central do Brasil está estudando a implementação de uma moeda digital de varejo, tanto em transações online (quando as duas pontas estão conectadas à internet) quanto para transações offline. O Real digital deve ser lançado entre 2022 e 2023.

A disponibilidade de pagamentos offline introduz complexidade ao desenho da moeda digital, mas é relevante em cenários em que estabelecimentos comerciais ou consumidores não têm acesso integral à internet.

Outro destaque é o indicativo de que o real digital será desenhado para participar de arranjos transfronteiriços. Isto é, infraestruturas em que a moeda digital brasileira possa se integrar com outras moedas digitais, como o euro digital, o yuan digital e outras.

O Banco Central também já definiu que o real digital será distribuído em um modelo de dois níveis. Isto é, o BCB será o emissor da moeda digital, mas esta será distribuída ao público por intermédio dos bancos, fintechs e demais instituições que fazem parte do Sistema de Pagamentos Brasileiro.

Foto de Neidson Soares
Foto de Neidson Soares O autor:

Conheceu esse universo dos criptoativos em 2016 e desde 2017 vem intensificando a busca por conhecimentos na área. Hoje trabalha juntamente com sua esposa no criptomercado de forma profissional. Bacharelando em Blockchain, Criptomoedas e Finanças na Era Digital.

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