Uber mira Delivery Hero e recebe apoio de Wall Street
A Uber Technologies apresentou uma proposta para adquirir a Delivery Hero por 41,50 euros por ação. Assim, a oferta atribui à companhia um valor patrimonial aproximado de US$ 13,7 bilhões. O cálculo também considera participações compradas anteriormente pela Uber. O movimento reforça a expansão da empresa em entregas e sustenta a visão positiva de analistas sobre as ações.
A Uber Technologies afirma que a transação amplia sua estratégia de consolidar uma plataforma com transporte, entrega de restaurantes, supermercados, itens de conveniência e varejo. Além disso, o negócio pode fortalecer a presença global da companhia em mercados onde ela já opera serviços de mobilidade.
Oferta reforça aposta global em entregas
Após a oferta, a Citizens manteve recomendação Market Outperform para os papéis da Uber, com preço-alvo de US$ 100. Quando o relatório foi publicado, as ações eram negociadas perto de US$ 72,46. Ainda assim, a casa avaliou que o racional financeiro da compra depende da captura das sinergias operacionais previstas.
Segundo Andrew Boone, analista da Citizens, o preço da transação equivale a cerca de 8 vezes o EBITDA projetado para 2027 da Delivery Hero. Em contrapartida, esse nível fica abaixo do múltiplo EV/EBITDA atual da Uber, de 20,78 vezes. Dessa forma, a instituição entende que a relação econômica pode ser favorável, desde que a integração entregue os ganhos esperados.
A Citizens também destacou que o delivery possui barreiras competitivas mais fortes do que a área de mobilidade. Portanto, a operação ganha peso estratégico para a Uber. Além disso, a aquisição adicionaria 24 novos territórios de entrega, que se somariam a regiões onde a empresa já oferece mobilidade.
Esse fator pode facilitar a integração das operações. Afinal, entrar em mercados já conhecidos tende a reduzir desafios de execução. A comparação vale, sobretudo, diante de uma expansão para locais totalmente novos. Nesse sentido, a proposta reforça a construção de um super app, tese que o mercado acompanha de perto.
Analistas veem espaço para alta nas ações
A TD Cowen também reiterou recomendação de compra para a Uber e manteve preço-alvo de US$ 118. Segundo o analista John Blackledge, o negócio de entregas segue em forte momento. Além disso, ele projetou gross bookings, métrica de reservas brutas, de US$ 57,1 bilhões no segundo trimestre. O número representaria alta de 22,2% na comparação anual.
A Guggenheim preservou sua recomendação de compra e fixou o preço-alvo mais otimista entre as casas citadas, em US$ 125. A instituição chamou atenção para o avanço da Uber em veículos autônomos. Ademais, espera que a empresa opere serviços com essa tecnologia em 18 áreas metropolitanas ao redor do mundo até o fim do ano. A projeção supera a previsão inicial de 15 cidades.
A Jefferies completou o grupo de avaliações positivas com preço-alvo de US$ 110. A casa concentrou sua análise na manutenção de crescimento na faixa dos dois dígitos altos para as Mobility Bookings. Ao mesmo tempo, monitora o desempenho da divisão de entregas diante de comparações anuais mais exigentes.
Em conjunto, os relatórios indicam que a proposta pela Delivery Hero não reduziu a confiança de Wall Street na tese da Uber. Pelo contrário, o mercado passou a enxergar potencial adicional de escala e eficiência. Contudo, a execução seguirá no centro da análise, já que aquisições dessa magnitude exigem integração disciplinada.
Ações seguem abaixo do valor estimado
A análise da GuruFocus aponta valor intrínseco GF Value de US$ 96,98 para a Uber. Com as ações em torno de US$ 72,61, isso indicaria desconto de aproximadamente 25,1% em relação ao valor justo estimado. Além disso, a plataforma atribui à empresa um GF Score de 82 em 100.
Os pontos mais fortes da companhia, segundo essa leitura, estão em crescimento, com nota 9 de 10, e valuation, com 8 de 10. Já a lucratividade aparece com 5 de 10. Em outras palavras, esse é o principal aspecto apontado como espaço para melhora.
O índice preço sobre lucro dos últimos 12 meses da Uber está em 18,11 vezes. O múltiplo fica ligeiramente abaixo da mediana de 18,51 vezes observada nos últimos cinco anos. Além disso, não houve compras nem vendas de ações por insiders da empresa no período mais recente de três meses.
A TD Cowen reafirmou sua recomendação de compra em 17 de julho de 2026, mesma data de divulgação do relatório da Citizens. No balanço das casas citadas, quatro pontos concentram a tese: a proposta de aquisição da Delivery Hero por 41,50 euros por ação, o potencial de adicionar 24 territórios ao delivery, a projeção de US$ 57,1 bilhões em gross bookings no segundo trimestre e a estimativa de valor intrínseco de US$ 96,98 para a Uber.