Ucrânia desmonta rede de phishing em mais de 20 países

Especialistas cibernéticos da Polícia Nacional da Ucrânia desmontaram uma rede de phishing que atuava em mais de 20 países. O grupo criava falsas plataformas de investimento para obter acesso às carteiras digitais das vítimas. Além disso, os criminosos concentravam seus esforços em cidadãos da União Europeia.

A Polícia Nacional conduziu a investigação com o Serviço de Segurança da Ucrânia. Conforme a instituição informou no X, mais de 46 cidadãos ucranianos participavam do esquema. Um especialista em TI de 25 anos, residente em Kyiv, liderava os organizadores. Agora, as autoridades procuram outros integrantes da organização.

Sites de phishing simulavam plataformas de investimento

Os suspeitos instalaram vários escritórios ilegais na Ucrânia. Nesses locais, especialistas em TI mantinham os sites fraudulentos em funcionamento. Ao mesmo tempo, a equipe tentava evitar bloqueios impostos por reguladores e provedores de serviços. Outros participantes administravam os escritórios e cuidavam da segurança da estrutura.

Para atrair vítimas, o grupo divulgava supostos projetos rentáveis de investimento em ativos digitais por canais no Telegram. As publicações exibiam resultados de negociação fabricados e exemplos falsos de operações bem-sucedidas. Dessa forma, os criminosos convenciam os usuários a depositar recursos na expectativa de obter lucros.

O golpe avançava quando as vítimas tentavam retirar os valores depositados. Nesse momento, os sites exigiam que os usuários conectassem suas carteiras digitais. Em seguida, os fraudadores assumiam o controle das carteiras e transferiam os recursos armazenados. Assim, as vítimas perdiam o acesso aos valores enviados para endereços sob domínio do grupo.

Organização dividia tarefas entre seus integrantes

A organização mantinha uma estrutura com funções específicas. Enquanto os especialistas cuidavam das páginas e das carteiras, outros integrantes conversavam com potenciais vítimas. Por sua vez, administradores coordenavam os escritórios usados na operação. O grupo também empregava pessoas para proteger suas instalações e atividades.

Depois de esvaziar as carteiras, os criminosos movimentavam os recursos por canais de lavagem de dinheiro. Posteriormente, convertiam parte dos valores em dinheiro e bens físicos. Os investigadores também rastrearam bancos de dados operacionais e registros de transações. Essas informações levaram a servidores localizados nos Países Baixos.

Os servidores armazenavam registros das carteiras das vítimas e dos valores furtados. Com base nas evidências, a polícia realizou 23 buscas simultâneas em residências e escritórios relacionados aos suspeitos. Durante a operação, os agentes apreenderam dezenas de celulares e grande quantidade de equipamentos de informática. Também recolheram carros de luxo e somas relevantes em dinheiro.

Autoridades procuram outros envolvidos no esquema

As autoridades acreditam que o dinheiro apreendido tenha origem nas atividades criminosas. Enquanto isso, policiais e promotores trabalham para identificar outros cúmplices. Os principais organizadores já respondem a acusações formais com base nas leis ucranianas sobre fraude cibernética e crime organizado.

Os suspeitos podem receber penas de até 12 anos de prisão. Além da detenção, a Justiça poderá determinar o confisco dos bens pessoais dos condenados. O caso reúne propaganda enganosa, páginas fraudulentas e acesso indevido a carteiras de criptomoedas.

Cuidados podem reduzir riscos para usuários

Para limitar a exposição a golpes, usuários devem verificar endereços e plataformas antes de conectar uma carteira. Também precisam revisar com atenção as permissões solicitadas por sites e aplicativos. Quando possível, manter a maior parte dos recursos fora de dispositivos conectados à internet reduz a superfície de ataque. Essas práticas ajudam a impedir acessos não autorizados em operações de phishing.