USDC: Circle cobra Open USD além dos 140 apoios

O avanço da Open USD levou a Circle a reforçar a principal tese competitiva da USDC. Para Jeremy Allaire, CEO da Circle, uma stablecoin apoiada por dezenas de parceiros só ameaça a liderança atual se converter adesão institucional em transações reais, liquidez ativa e uso recorrente em ambientes regulados.

A manifestação ocorreu em 1º de julho, após a Open Standard anunciar a Open USD em 30 de junho. Em comentário publicado no X, Allaire sustentou que o mercado de stablecoins ainda depende de efeitos de rede difíceis de replicar.

Na apresentação do projeto, a Open Standard afirmou que mais de 140 empresas aderiram à proposta de uso do token OUSD. Entre os nomes citados estão Visa, Stripe, Mastercard, American Express, Coinbase, BlackRock, BNY, Google, Shopify, Solana, Base, Ripple e Fireblocks. Assim, a nova iniciativa entra no debate com forte apelo institucional.

Segundo a proposta, a OUSD terá emissão e resgate sem custo em escala. Além disso, repartirá parte dos rendimentos das reservas com parceiros, após taxa de administração. O projeto também prevê governança por um conselho independente formado por membros da coalizão. Dessa forma, a Open USD tenta acelerar sua adoção por meio de incentivos econômicos compartilhados.

Infográfico comparando os incentivos de lançamento da Open USD com a vantagem de efeito de rede da USDC
Infográfico compara incentivos da Open USD e efeito de rede da USDC.

Circle aponta efeito de rede como barreira

Na visão de Allaire, redes de stablecoins funcionam como plataformas de internet. Em outras palavras, liquidez, integrações técnicas e acesso regulatório se acumulam ao longo do tempo. Por isso, poucos vencedores tendem a concentrar a maior parte do mercado.

As redes de stablecoins são negócios de plataforma e de efeito de rede que se estabelecem ao longo de muito tempo, tendem a estruturas de mercado em que o vencedor leva a maior parte e se parecem com outros mercados de utilidade de plataformas da internet. Estabelecer esses efeitos de rede de liquidez também envolve construir infraestrutura regulatória global e garantir que a stablecoin esteja disponível sob diferentes regimes ao redor do mundo.

Jeremy Allaire no X

Allaire afirmou que a USDC já reúne liquidez, integrações e licenças regulatórias. Ademais, citou CCTP e Gateway como produtos que ajudam a manter desenvolvedores e instituições na rede da Circle. Materiais públicos da empresa também destacam suporte nativo da USDC em 35 redes, bem como conformidade com MiCA e outras licenças regulatórias.

O ponto central da Circle é direto. A vantagem da USDC, segundo a empresa, não depende apenas de reconhecimento de marca. De fato, ela estaria no volume operacional já em funcionamento. Allaire citou dados da Artemis segundo os quais a USDC movimentou quase US$ 30 trilhões em transações on-chain no primeiro trimestre de 2026. Além disso, respondeu por cerca de 80% do volume transacional em blockchain entre stablecoins atreladas ao dólar.

Dados de mercado reforçam liderança operacional

Em documento trimestral divulgado em 11 de maio, a Circle informou números diferentes, mas ainda robustos. Segundo a empresa, a USDC registrou US$ 21,5 trilhões em volume on-chain no primeiro trimestre, US$ 77,0 bilhões em circulação e participação de 63% no volume transacional de stablecoins, conforme a Visa Onchain Analytics.

Outro recorte veio do relatório do primeiro trimestre da CEX.IO. O estudo também atribuiu à USDC cerca de 80% do volume total de transações entre stablecoins. Ao mesmo tempo, apontou que bots responderam por 76% do volume total do setor. Ainda assim, os números reforçam a dianteira da USDC em fluxo mensurável, enquanto a Open USD ainda não opera em escala plena.

Open USD aposta em incentivos econômicos

A Open USD tenta competir no campo econômico. A emissão e o resgate sem custo, o compartilhamento dos rendimentos das reservas e a governança coletiva foram desenhados para atrair empresas interessadas na economia gerada por uma stablecoin amplamente usada.

No entanto, Allaire vê riscos nesse desenho. Segundo ele, esse modelo pode elevar a pressão por resgates, reduzir recursos disponíveis para infraestrutura e tornar decisões mais lentas dentro de um consórcio amplo. Portanto, a Circle tenta mostrar que incentivos financeiros, por si só, não garantem liquidez duradoura.

O executivo também rejeitou a leitura de que a presença da Coinbase na coalizão da Open USD indique afastamento entre as empresas. Pelo contrário, ele afirmou que a parceria com a exchange em torno da USDC permanece forte.

Nossa parceria de stablecoin com a Coinbase continua tão forte quanto sempre, e acho que ambos vemos uma enorme oportunidade à frente para expandir a rede da USDC.

Jeremy Allaire no X

Esse ponto importa porque uma mesma companhia pode apoiar a OUSD e, ao mesmo tempo, continuar usando a USDC onde liquidez, conformidade e fluxo de clientes já estão consolidados. Em suma, adesão institucional não significa migração operacional automática.

Próximo teste será provar adoção fora do anúncio

O próximo desafio da Open USD será demonstrar uso concreto após o lançamento previsto para este ano. Para isso, o token precisará mostrar volume recorrente em pagamentos, exchanges, remessas, DeFi e tesouraria. Caso contrário, o apoio de mais de 140 empresas seguirá mais próximo de um potencial canal de distribuição do que de uma competição efetiva.

Somos grandes defensores do crescimento do ecossistema de stablecoins e damos as boas-vindas à OUSD como um novo membro da comunidade.

Jeremy Allaire no X

Assim, a disputa se desenha em duas frentes. De um lado, a Open USD chega com incentivos econômicos e uma base de mais de 140 apoiadores. De outro, a USDC já opera com liquidez ampla, presença regulatória, integração em 35 redes e trilhões de dólares em volume on-chain, segundo dados e declarações apresentados pela Circle e por relatórios citados no debate.