USDC cresce menos após alta do mercado cripto, diz estudo
O crescimento do USDC tende a desacelerar na semana seguinte a retornos mais fortes do mercado de criptomoedas. Enquanto isso, o USDT registra uma expansão mais rápida, segundo pesquisa da Coin Metrics. O comportamento mostra que as duas stablecoins podem responder a demandas diferentes.
O resultado dificulta a interpretação de que toda emissão representa dinheiro disponível para comprar Bitcoin. Afinal, novos tokens podem atender tomadores de crédito, provedores de liquidez ou investidores que desejam manter saldo em dólar. Por isso, investidores precisam observar o destino desses recursos antes de associar emissões à demanda no mercado à vista.
USDC e USDT respondem de formas distintas
A composição entre emissores importa porque retornos anteriores do mercado apresentam relações opostas com o crescimento da oferta. O estudo da Coin Metrics analisou observações semanais ao longo de quatro anos. Os pesquisadores compararam seis fatores da semana anterior com o crescimento posterior da oferta.
Taxas maiores de financiamento em contratos perpétuos se associaram a uma expansão mais rápida para os dois emissores. Após os controles, o indicador explicou cerca de 10% da variação semanal do USDC. Já no caso do USDT, a parcela explicada chegou a 4%.
Juros de empréstimos favorecem o USDC
Uma análise separada, iniciada em 2023, avaliou a diferença entre o rendimento anual da Aave v3 e o retorno dos títulos do Tesouro americano. A comparação considerou papéis com prazo de três meses. Nesse recorte, o spread de carry acrescentou informações relevantes para explicar o comportamento do USDC.
Por outro lado, o mesmo diferencial não trouxe ganho significativo para o USDT nem para a oferta combinada. Os modelos defasados explicaram aproximadamente 13% das oscilações semanais do USDC e 16% das variações do USDT. Ainda assim, nenhum modelo explicou mais de 25% da variação observada.
As associações históricas também não comprovam uma relação de causa e efeito. Da mesma forma, elas não antecipam os retornos futuros do Bitcoin. Portanto, os resultados exigem cautela na interpretação.

Fonte: pesquisa da Coin Metrics.
Uma relação positiva para um emissor e negativa para outro pode coexistir na oferta total de stablecoins. Dessa forma, a leitura agregada pode esconder intenções distintas entre os participantes do mercado. A emissão conjunta, portanto, não revela sozinha a finalidade dos novos saldos.
Novas stablecoins podem ter vários destinos
A Circle descreve a emissão de USDC como um processo no qual o cliente deposita dólares e recebe novos tokens. O resgate, por sua vez, retira os tokens correspondentes de circulação. Assim, a oferta varia conforme entradas e saídas realizadas pelos clientes.
Já a Tether informa que o USDT pode servir para pagamentos e para a saída de posições de mercado. Quem reduz sua exposição e preserva stablecoins toma uma decisão diferente de quem compra Bitcoin. Logo, a manutenção de saldos em dólar digital não confirma uma nova operação no mercado à vista.
Em paralelo, o crédito descentralizado oferece outro destino para esses recursos. A Aave explica que os depósitos entram em pools de liquidez e rendem juros. Esses recursos também podem funcionar como garantia para outras operações.
Reservas em corretoras não confirmam compras
Tokens já existentes podem trocar de mãos sem qualquer emissão adicional. Por consequência, o crescimento da circulação não equivale, por si só, à atividade de negociação. A mesma distinção vale para as reservas mantidas em corretoras.
Embora esses saldos estejam mais próximos do local de negociação, um depósito representa apenas uma etapa intermediária. Ele não confirma uma compra concluída de Bitcoin. Nesse sentido, a execução da operação importa mais do que a simples transferência para uma plataforma.
Taxas da Aave destacam efeito do horário
Os painéis do Aavescan para USDC e USDT na Ethereum v3 mostram variações nas taxas anuais de fornecimento. As leituras ao vivo podem diferir dos registros diários. A comparação histórica utilizou observações da meia-noite UTC de 19 de outubro.
| Mercado ou referência | Cotação anualizada | Base da cotação |
|---|---|---|
| Aave v3 Ethereum USDC | 11,5% | APR de fornecimento, meia-noite UTC |
| Aave v3 Ethereum USDT | 3,1% | APR de fornecimento, meia-noite UTC |
| Tesouro americano com vencimento constante de três meses | 4,27% | DGS3MO, base de investimento |
As linhas da Aave não incluem incentivos históricos. Já o dado do Tesouro corresponde à série DGS3MO, em base de investimento. A referência difere da cotação de 4,1% da série DTB3, calculada em base de desconto.
Conforme o TreasuryDirect, o rendimento de investimento representa juros simples anualizados, sem capitalização. Contudo, datas coincidentes não sincronizam observações, prazos de manutenção ou o cálculo histórico de carry baseado em APY. Por esse motivo, a comparação exige atenção à metodologia de cada indicador.
O registro de 11,5% do USDC representa apenas uma cotação pontual. A metodologia do Aavescan ressalta que instantâneos podem não captar variações intradiárias. Enquanto isso, o índice de juros mede o acúmulo durante determinado intervalo.
A comparação de rendimentos também não elimina os riscos envolvidos. A documentação da Aave cita riscos relacionados a contratos inteligentes, oráculos, garantias e redes. Em resumo, a oferta conjunta de USDC e USDT representa liquidez potencial em dólar com diferentes finalidades. Somente a ligação entre emissão, destino e execução mostra quanto desse volume pode se transformar em demanda por Bitcoin.
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