USDT supera 650 milhões e Tether lucra US$ 1,5 bi
A Tether, emissora da maior stablecoin do mundo, registrou lucro líquido de US$ 1,5 bilhão no segundo trimestre de 2026 e informou uma reserva adicional de US$ 4,1 bilhões para lidar com eventuais resgates do USDT.
O resultado representa alta de 44% em relação ao lucro de US$ 1,04 bilhão no primeiro trimestre de 2026. Segundo a empresa, o desempenho foi impulsionado principalmente por títulos do Tesouro dos Estados Unidos e operações compromissadas, conhecidas como repos. Além disso, a Tether ampliou suas reservas físicas de ouro de 132,2 toneladas para 146 toneladas, um avanço de 10,5% ante o trimestre anterior.
“A Tether teve um ótimo segundo trimestre de 2026, com cerca de US$ 1,5 bilhão em lucro operacional líquido, apesar dos mercados globais altamente voláteis.”
Paolo Ardoino, CEO da Tether
Ao comentar os números, o CEO Paolo Ardoino reforçou o foco da companhia nos mercados em desenvolvimento. Em seguida, afirmou que a base de usuários do USDT continuou crescendo e alcançou um novo recorde histórico de mais de 650 milhões, com expansão concentrada nos mercados emergentes, em meio a um período contínuo de incerteza geopolítica.
“A base de usuários do USDT continuou a crescer, atingindo um novo recorde histórico de mais de 650 milhões, com o avanço mais amplo em todos os mercados emergentes, impulsionado pelo contínuo período de incerteza geopolítica. A Tether continua a promover inclusão financeira no mundo em desenvolvimento como nenhuma outra empresa já fez na história da humanidade.”
Paolo Ardoino, CEO da Tether

USDT ganha espaço na América Latina e na África
O uso do USDT já havia sido destacado na Venezuela, na Bolívia e em outras partes da América Latina durante a atual crise no Oeste Asiático. No caso venezuelano, a negociação de USDT na Venezuela pela Binance chegou a US$ 1,4 bilhão, rivalizando com as exportações de petróleo do país e com as reservas cambiais do banco central.
Na Bolívia, por outro lado, a crescente demanda por dólares americanos transformou o USDT em uma alternativa de fato. Segundo o texto original, o governo da Bolívia avalia torná-lo moeda de curso legal, enquanto bancos e empresas já o utilizam ativamente.
Tokenização entra na estratégia para a África
Na África, o USDT tem sido usado principalmente para remessas internacionais e como proteção contra a inflação das moedas locais. Entretanto, a Tether está aprofundando essa integração com um componente adicional: a tokenização.
No início da semana, a empresa anunciou um plano para estudar a tokenização de ações locais no Quênia e viabilizar liquidações em USDT. Se o conceito for validado, a Tether poderá expandir essa iniciativa para outros países africanos. Ainda assim, permanece incerto se entraves regulatórios e burocráticos na região permitirão que o projeto avance.
Capitalização do USDT recua apesar do recorde de usuários
Apesar da expansão da base de usuários, a capitalização de mercado do USDT caiu quase US$ 7 bilhões, saindo do pico de US$ 190 bilhões em maio para US$ 183,5 bilhões.
Ao mesmo tempo, a stablecoin voltada aos Estados Unidos da Tether, a USAT, mostrou crescimento lento e tem valor de mercado de US$ 185 milhões. Já o mercado total de stablecoins também encolheu, passando de US$ 322 bilhões para US$ 307,6 bilhões. Isso representa uma queda de 5% no segundo trimestre, em meio a um inverno cripto prolongado.

Em resumo, a Tether classificou o lucro de US$ 1,5 bilhão como um forte desempenho trimestral e reafirmou sua prioridade nos mercados em desenvolvimento. Ainda assim, mesmo com o recorde de usuários do USDT, a capitalização do ativo recuou em linha com a contração mais ampla do setor de stablecoins no segundo trimestre.