USDT: Tether reduz em 94% volume ligado ao Irã

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O CEO da Tether, Paolo Ardoino, afirmou em 19 de outubro que os congelamentos reduziram em 94% o volume de USDT ligado ao Irã desde 2023. Em resposta a um relatório recente do Senado dos Estados Unidos, ele publicou os números no X. O documento ampliou o escrutínio em Washington sobre o uso da stablecoin pelo país. Ainda assim, uma fonte independente não confirmou a redução total informada pelo executivo.

Segundo Ardoino, a Tether bloqueou endereços relevantes antes das designações oficiais do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos EUA. Em média, a empresa adotou as medidas quatro semanas antes das designações do OFAC. Além disso, a companhia agiu antes que a Chainalysis classificasse os endereços em 99% dos casos. Na prática, o congelamento impede que os responsáveis movimentem ou gastem os valores mantidos nas carteiras.

Bloqueios anteciparam designações do OFAC

Conforme dados da TRM Labs, a tendência observada acompanha a direção apresentada por Ardoino. A participação da Tether no volume on-chain de carteiras atribuídas ao Irã caiu de 67% em 2025 para 14% até agosto de 2026. Essa variação indica uma redução expressiva no uso da stablecoin entre os endereços analisados. Porém, os números não verificam de forma independente o percentual total de 94%.

Nesse período, a Tether congelou cerca de US$ 550 milhões ligados ao Irã durante 2026. Já em abril, a empresa bloqueou US$ 344 milhões, enquanto outros US$ 130 milhões foram congelados em julho. Também houve bloqueios anteriores de carteiras relacionadas à exchange iraniana Wallex e a outras plataformas sancionadas. Antes disso, a emissora já adotava medidas semelhantes contra endereços associados a restrições financeiras.

Relatório apontou dependência da stablecoin

De acordo com a apuração, a equipe democrata do Subcomitê Permanente de Investigações do Senado publicou o relatório em 28 de setembro. O documento examinou 846 carteiras sinalizadas por possíveis vínculos com o Irã. Desse total, 84% realizaram transações quase exclusivamente com a stablecoin da Tether. Com isso, os investigadores destacaram a presença do USDT nas operações financeiras analisadas.

Por sua vez, o relatório classificou o USDT como uma importante tábua de salvação para a rede bancária paralela iraniana. O Banco Central do Irã acumulou cerca de US$ 507 milhões em unidades da Tether para apoiar o rial, a moeda nacional. Nesse contexto, a stablecoin possui valor de mercado próximo de US$ 183 bilhões. Ainda de acordo com os dados apresentados, ela representa mais de 60% do mercado global de stablecoins.

Debate sobre stablecoins amplia pressão política

O caso avançou enquanto legisladores discutiam a estrutura regulatória para stablecoins prevista no GENIUS Act. Paralelamente, reportagens indicaram que uma empresa ligada a Bo Hines recebeu US$ 6,3 milhões da Tether. O pagamento ocorreu enquanto Hines ajudava a formular a legislação norte-americana sobre stablecoins. Esses fatos ampliaram a atenção política sobre a atuação da companhia nos Estados Unidos.

Em agosto de 2026, Washington lançou a Operação Economic Outcast para cortar fontes de financiamento do Irã. Enquanto isso, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os EUA buscam apreender cerca de US$ 1 bilhão em criptomoedas ligadas ao país. Contudo, as autoridades ainda não confirmaram oficialmente o congelamento desses valores. Assim, os dados sustentam a direção geral da queda, mas o percentual de 94% permanece baseado na declaração de Ardoino.

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