USDT0 conecta Stellar a US$ 180 bilhões em liquidez

O USDT0, versão omnichain do USDT da Tether, entrou em operação na Stellar em 2 de setembro. A rede mantém uma longa trajetória no segmento de pagamentos e remessas. Com a integração, seus usuários podem movimentar o dólar tokenizado entre diferentes ecossistemas.

Além disso, a Stellar passou a acessar o pool unificado de mais de US$ 180 bilhões em liquidez de USDT. A infraestrutura do USDT0 distribui essa liquidez entre mais de 20 blockchains. Entre elas estão Ethereum, Solana e Hedera.

Integração conecta a Stellar ao USDT entre cadeias

A implementação utiliza o padrão Omnichain Fungible Token, conhecido como OFT, da LayerZero. Portanto, o sistema não cria uma versão embrulhada do USDT. Também não depende de uma ponte com custódia para realizar as transferências.

Na prática, o protocolo queima cada unidade na blockchain de origem e emite outra na cadeia de destino. Desse modo, o processo mantém lastro de 1 para 1 em USDT bloqueado na Ethereum. O mecanismo busca evitar a fragmentação da liquidez entre diferentes redes.

Paralelamente, uma rede de verificação com três participantes e três aprovações exigidas atua na operação. A Everdawn Labs administra a iniciativa sob licença da Tether. Desde o início, o USDT0 na Stellar está disponível em Kraken, Bitget Wallet, Fireblocks, Freighter, Lobstr, Ramp Network e SushiSwap, entre outros serviços.

“Mais de US$ 180 bilhões em liquidez de USDT agora estão acessíveis a uma das redes de pagamentos mais amplamente implantadas. O USDT0 está ativo na Stellar. A Stellar permite que mais de 180 países movimentem dinheiro em segundos por menos de um décimo de centavo. Isso significa que 10 mil transações na Stellar custam menos que uma transferência bancária.”

USDT0, no X.

Padronização reduz a fragmentação entre blockchains

O anúncio não significa que a Stellar recebeu US$ 180 bilhões de uma só vez. Em vez disso, o modelo oferece acesso à liquidez pelo mecanismo de queima e emissão. O saldo efetivo na rede dependerá da demanda dos usuários.

Nesse contexto, o USDT0 busca formar um dólar tokenizado uniforme entre cadeias. Assim, o sistema evita versões locais incompatíveis em cada blockchain. Cada uma das redes integradas também reforça o OFT como padrão de movimentação entre ecossistemas.

Para usuários latino-americanos, essa característica pode ser mais relevante do que o valor anunciado. Afinal, a Stellar se especializou por mais de uma década em remessas e pagamentos transfronteiriços de baixo custo. O USDT, por sua vez, já atua como instrumento de liquidação em partes da América Latina, África e Sudeste Asiático.

Por isso, a conexão amplia o espaço operacional para fintechs, processadores de pagamentos e tesourarias. Até então, esses participantes precisavam reconstruir sua liquidez em dólares de uma rede para outra. Agora, a Stellar se conecta ao pool do USDT com taxas inferiores a um centavo e liquidação em cerca de cinco segundos.

O que representam os US$ 180 bilhões

O valor de US$ 180 bilhões funciona principalmente como destaque do anúncio. Contudo, os recursos não migram integralmente para a Stellar. Eles permanecem acessíveis por meio da estrutura compartilhada de liquidez.

Enquanto isso, o saldo efetivo de USDT0 na rede começa em nível modesto. Esse volume poderá crescer conforme a demanda aumentar. Portanto, o número divulgado não representa o valor depositado diretamente na blockchain.

A comparação entre 10 mil transações na Stellar e uma transferência bancária também exige contexto. Uma transferência bancária movimenta recursos por meio da banca correspondente. Além do custo operacional, o processo incorpora camadas de conformidade que uma taxa on-chain não contempla.

A vantagem de custo existe, embora a equivalência tenha caráter mais publicitário do que técnico. Por outro lado, a integração reduz barreiras para movimentar USDT entre diferentes redes. Dessa forma, a padronização da liquidez representa a principal mudança trazida pelo lançamento.