USMS pode ter vendido Bitcoin apreendido da Samourai
O Bitcoin apreendido dos criadores da Samourai Wallet pode ter sido vendido pelo US Marshals Service (USMS), segundo novos documentos que detalham o processo de liquidação dos ativos. As informações levantam dúvidas sobre a conformidade das ações com regras federais que determinam o destino de fundos digitais confiscados.
Relatório aponta possível venda direta para a Coinbase Prime
Os registros, chamados Asset Liquidation Agreement, mostram que os réus Keonne Rodriguez e William Lonergan Hill concordaram em entregar um montante avaliado em cerca de US$ 6,3 milhões. Esse valor equivalia a mais de 57 BTC em 3 de novembro de 2025, quando o acordo foi oficializado. No entanto, os documentos indicam que os ativos não foram enviados para a custódia tradicional do USMS.
Em vez disso, a transferência realizada na mesma data teria sido direcionada diretamente à Coinbase Prime, plataforma voltada para operações institucionais. Esse procedimento é incomum, pois geralmente o governo envia ativos confiscados para armazenamento sob controle do USMS antes de qualquer decisão sobre venda ou movimentação.
Além disso, o envio direto para uma corretora sugere que a intenção era liquidar rapidamente o montante, o que intensifica as discussões sobre o cumprimento das normas estabelecidas pelo governo federal para a gestão de ativos digitais.
Debate sobre procedimentos de custódia
Normalmente, ativos digitais apreendidos seguem um fluxo padronizado até sua destinação final. No entanto, este caso indica possível desvio dessa rotina, o que pode gerar impacto em futuras operações envolvendo criptoativos confiscados. Assim, cresce a necessidade de clareza nas diretrizes aplicadas pelos órgãos responsáveis.
Ordens federais podem ter sido desrespeitadas
A possível venda dos Bitcoins reacende questionamentos sobre a Executive Order 14233. Essa ordem determina que todo BTC originado de confiscos criminais deve ser enviado ao Strategic Bitcoin Reserve, sendo classificado como Government BTC. Portanto, ele não pode ser vendido por chefes de agências, exceto em situações muito específicas que não se aplicam aos casos de Rodriguez ou Hill.
Além disso, a regra estabelece que ativos digitais classificados como Government Digital Assets não podem ser movimentados de forma livre. Por isso, a suposta decisão do USMS de liquidar o valor fora das normas estabelecidas pode configurar uma possível violação regulatória.
O episódio destaca a necessidade de alinhamento entre ordens executivas, práticas internas e protocolos de apreensão. Portanto, especialistas argumentam que ainda falta padronização para evitar futuras inconsistências.
Gráfico diário mostra o BTC retomando níveis acima de US$ 94.000. Fonte: BTCUSDT no TradingView.com
Mercado reage enquanto debate ganha força
No momento da apuração, o Bitcoin se aproximava de US$ 94.300, com alta de 3 por cento nas últimas 24 horas e 8 por cento na última semana. Além disso, a recuperação ocorre em meio à maior atenção sobre como órgãos públicos tratam ativos digitais confiscados.
Os documentos que apontam a transferência direta para a Coinbase Prime adicionam pressão sobre autoridades, que agora enfrentam nova rodada de críticas por falta de transparência. Assim, o caso reforça a relevância do tema para investidores e reguladores em um mercado cada vez mais atento às ações do governo.
Com isso, cresce a necessidade de diretrizes claras sobre o manejo de ativos apreendidos, especialmente em um cenário de valorização contínua do Bitcoin.