Vaults de ETH rendem menos que staking, diz Glassnode
Os vaults de ETH analisados pela Glassnode renderam menos que o staking em setembro. Ao mesmo tempo, estratégias de vaults denominadas em dólar superaram os Treasuries pelo terceiro mês consecutivo. O resultado mostra que cada categoria exige uma referência de desempenho diferente.
O saldo da amostra mais ampla acompanhada pela empresa avançou cerca de 15% e alcançou US$ 10 bilhões. Esse foi o maior nível desde novembro de 2025. Contudo, o crescimento não comprova uma expansão de todo o mercado nem separa entradas, valorização e mudanças na cobertura dos dados.

Fonte: revisão de desempenho da Glassnode.
Staking serve como referência para estratégias com ETH
Quem pretende manter exposição ao ETH precisa decidir como empregar esse recurso. Por isso, comparar um vault de ETH ao staking preserva a decisão inicial de manter a criptomoeda. Já uma comparação com juros em dólar também envolve abandonar ou manter essa exposição.
Em setembro, a análise mediu se a gestão dos vaults gerou retorno adicional acima do staking. As estratégias não superaram esse parâmetro durante o período. Assim, o investidor precisa avaliar o retorno excedente após considerar os riscos adicionais do depósito.
Estratégias em dólar usam outro referencial
As estratégias em dólar superaram os Treasuries, indicando um prêmio de retorno sobre esse referencial. No entanto, o resultado não comprova que o prêmio compensou todos os riscos adicionais. A origem da receita e as possíveis restrições de saque também influenciam essa avaliação.
Nesse contexto, a plataforma vaults.fyi separa rendimentos em dólar e ETH por rede ao construir seus benchmarks. Sua metodologia de taxas de referência pondera até cinco dos maiores vaults elegíveis pelo valor total bloqueado. Cada vault precisa ter ao menos US$ 1 milhão, enquanto o benchmark legado de ETH usa quatro tokens fixos de staking líquido.
Essas séries não representam automaticamente o comparador de staking adotado pela Glassnode. Por essa razão, moeda, período e metodologia precisam coincidir antes do cálculo de qualquer diferença. Caso contrário, a comparação pode misturar retornos produzidos sob condições distintas.
Taxas e incentivos alteram o rendimento efetivo
Esse ajuste ganha importância em estratégias baseadas em recursos de staking líquido. Parte do retorno pode vir da posição subjacente, enquanto outra parcela resulta das operações executadas pelo vault. Logo, considerar apenas o rendimento adicional pode subestimar o desempenho total.
Em contrapartida, somar novamente o staking a um retorno que já o inclui pode inflar o resultado. A metodologia de cálculo do APY diferencia o rendimento total composto do ganho intrínseco do recurso depositado. A atualização publicada em março também detalhou a divisão entre ganhos do recurso e contribuição da estratégia.
As taxas exigem atenção semelhante durante o cálculo. A plataforma anualiza os rendimentos a partir da variação on-chain do preço das cotas. Além disso, o cálculo já incorpora taxas refletidas nesses preços ou em seus acréscimos.
Portanto, descontar as mesmas cobranças novamente reduziria o retorno informado de maneira indevida. Recompensas avaliadas separadamente também podem elevar o desempenho total. O investidor deve verificar se o APY inclui incentivos, staking subjacente e taxas antes de comparar produtos.
Dados posteriores não representam setembro
Uma análise sobre curadoria em finanças descentralizadas, com dados de 20 de agosto, identificou casos em que wrappers incluíam recompensas posteriores no rendimento-base. Dessa forma, uma estratégia aparentemente sem incentivos pode depender deles em camadas seguintes. Essa estrutura dificulta a separação entre retorno orgânico e recompensas temporárias.
Tabelas divulgadas posteriormente também não resolvem a comparação de setembro. O retrato do rendimento de ETH de 26 de outubro indicou APY médio de sete dias de 2,34% para Lido stETH. Ainda assim, essa janela posterior não representa o retorno realizado do staking em setembro.
Em relatório de 8 de outubro, a Morpho informou mais de US$ 11 bilhões em vaults curados. Entretanto, essa categoria abrange um conjunto diferente da amostra acompanhada pela Glassnode. Os números não devem ser comparados como se medissem exatamente o mesmo universo.
Condições de saída influenciam o retorno
Para cada depositante, contrato e alocação importam mais que o total mantido por uma plataforma. A documentação do Vault V2 da Morpho descreve adaptadores que direcionam recursos para estratégias subjacentes. O sistema também permite limites de exposição a colateral, oráculos e protocolos.
As taxas de performance podem alcançar 50% do rendimento, enquanto as taxas de gestão podem chegar a 5% dos recursos. Wrappers de distribuição ainda podem adicionar outra camada de cobrança. Esses percentuais representam limites de configuração, não taxas confirmadas para a amostra da Glassnode.
Os mecanismos de retirada em espécie do V2 podem trocar a exposição do vault por uma posição subjacente ainda ilíquida. Pode haver penalidade de até 2%, enquanto portões opcionais podem restringir saques. Nesse caso, o rendimento nominal não traduz necessariamente o valor disponível para retirada imediata.
O staking também impõe limitações de liquidez. O processo de retirada da Lido segue uma fila por ordem de chegada. O prazo depende do ETH disponível, da demanda e das saídas de validadores.
Durante a espera, os usuários continuam expostos ao risco de slashing. Enquanto isso, a venda de stETH no mercado secundário oferece uma alternativa de saída. Porém, o preço de execução pode divergir do valor do ETH.
Em resumo, as estratégias em dólar superaram os Treasuries, enquanto os vaults de ETH ficaram abaixo do staking. Taxas, incentivos, colateral e condições de retirada podem alterar o resultado efetivo. Assim, o retorno anunciado não deve ser analisado isoladamente.
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