Venezuela e possível reserva secreta de Bitcoin
O Bitcoin ganhou nova relevância geopolítica depois que um relatório sugeriu que a Venezuela teria acumulado até 600.000 BTC de forma sigilosa. A informação ganhou força porque o documento surgiu no mesmo fim de semana em que os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro e o levaram ao país para responder a acusações federais. Além disso, o tema reacendeu discussões sobre reservas estratégicas de Ativos em meio a tensões internacionais.
O relatório, publicado pela Whale Hunting, do Project Brazen, descreve que Alex Saab, considerado operador financeiro do governo Maduro, teria acesso a valores equivalentes a até US$ 60 bilhões em Bitcoin. Assim, estimativas não oficiais apontaram que isso poderia representar entre 600.000 e 660.000 BTC, embora o documento não apresente essa conversão diretamente.
Acusações sobre o acúmulo de BTC e o papel de Saab
O texto indica que a captura de Maduro pelos EUA colocou foco sobre o paradeiro dos recursos supostamente movimentados por Saab. Segundo o relatório, se o presidente venezuelano está sob custódia, Saab seria peça central para rastrear os valores. No entanto, o documento admite que não há confirmação por análise on-chain, apoiando-se apenas em fontes humanas. Portanto, a publicação apresenta um panorama de inteligência, e não uma investigação técnica da blockchain.
O levantamento afirma que a Venezuela exportou mais de 73 toneladas de ouro em 2018, totalizando cerca de US$ 2,7 bilhões. Parte desses fundos, segundo o relatório, teria sido convertida em Bitcoin enquanto o Ativo oscilava entre US$ 3.000 e US$ 10.000. Assim, o governo poderia ter obtido forte valorização caso mantivesse as moedas até o pico do ciclo de 2021. Além disso, o cenário se encaixa nas dificuldades enfrentadas pelo país diante de sanções internacionais, que o levaram a buscar alternativas fora do sistema bancário tradicional.
Operação, movimentação e possível armazenamento dos BTC
O relatório descreve um fluxo operacional que incluiria venda de ouro, envio de valores por intermediários na Turquia e nos Emirados Árabes, uso de mixers e armazenamento final em carteiras frias. Nesse contexto, poucas pessoas teriam acesso às chaves privadas, entre elas Alex Saab. No entanto, nenhuma dessas etapas foi confirmada oficialmente.
A captura de Maduro também fez analistas aproximarem temas que raramente se cruzam: geopolítica e reservas estratégicas de Bitcoin. O CIO da ProCap, Jeff Park, comentou nas redes sociais que a possível reserva venezuelana, se controlada pelos EUA, poderia fortalecer a discutida estratégia norte-americana de acumular BTC.
Outros analistas compararam números. Um comentarista destacou que, se a estimativa venezuelana estiver correta e for somada aos cerca de 328.000 BTC já vinculados ao governo dos EUA, o total se aproximaria de 1 milhão de Bitcoins. Portanto, esse volume se alinharia a propostas no Senado que debatem a criação de reservas estratégicas em BTC.
No momento da repercussão do relatório, o Bitcoin era negociado a US$ 92.558, permanecendo abaixo da região de 0,618 de Fibonacci no gráfico semanal.

Fonte: BTCUSDT no TradingView.com
No curto prazo, as alegações destacam como o Bitcoin continua a influenciar disputas globais, especialmente após a captura de Maduro. Assim, o debate permanece intenso devido às cifras envolvidas e ao possível impacto na formação de reservas estratégicas em meio a tensões internacionais.