Vitalik critica excesso de L2s redundantes no Ethereum
O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, voltou a criticar o avanço de redes Layer 2 que apenas replicam a EVM sem entregar inovação real. Segundo ele, o setor perdeu tempo ao multiplicar soluções que oferecem quase o mesmo que a camada principal, resultando em pouca evolução tecnológica.
Buterin afirmou que criar uma L2 baseada em uma cópia da EVM se tornou simples. No entanto, essa facilidade não garante utilidade, muito menos progresso significativo. Ele comparou o atual cenário com a antiga repetição de projetos DeFi que não agregavam melhorias, criando apenas versões ligeiramente modificadas de plataformas já existentes.
Pressão por inovação na expansão do ecossistema
Em sua visão, o momento exige que novas cadeias ofereçam funcionalidades de fato úteis, e não apenas taxas menores. Além disso, ele destacou que o próprio Ethereum passa por mudanças importantes que já reduzem custos operacionais. Portanto, atividades que antes migravam para L2s em busca de taxas mais baixas agora encontram novamente espaço competitivo na camada base.
Essa mudança afeta diretamente o comportamento dos usuários. Conforme dados da TokenTerminal, o número de usuários ativos mensais em L2s caiu de 58,4 milhões em 2025 para 30 milhões em fevereiro de 2026. No mesmo período, o número de usuários ativos na rede principal dobrou, saltando de 7 milhões para 15 milhões. Assim, a procura pela rede base cresce conforme ela se torna mais eficiente.
Buterin reforça que essa tendência deve pressionar projetos L2 a buscar diferenciação concreta. Além disso, ele destaca que seguir repetindo o modelo EVM não atende às necessidades atuais. O ecossistema evolui, e as soluções de segunda camada precisam acompanhar esse avanço.
Novas direções para L2s e blockchains especializadas
Entre as possibilidades para o futuro das L2s, Buterin citou sistemas com foco em privacidade avançada, ambientes personalizados para aplicações e velocidades extremamente altas. Além disso, ele destacou a utilidade de soluções voltadas para empresas que precisam de registros verificáveis.
Segundo ele, usar apenas o nome Ethereum como estratégia de marketing já não faz sentido. Soluções L2 devem absorver a tecnologia central da rede para entregar recursos inéditos, e não reproduzir mecanismos ultrapassados. Assim, o objetivo deve ser ampliar o alcance da tecnologia e preencher lacunas reais.
Buterin também descreveu dois caminhos para cadeias de aplicativos especializados. O primeiro envolve rollups profundamente integrados ao Ethereum, que usam sua segurança enquanto realizam processamento fora da camada principal. O segundo modelo consiste em blockchains independentes que utilizam provas publicadas no Ethereum como forma de auditoria, garantindo transparência mesmo operando de maneira autônoma.
Essas propostas já geraram debates intensos na comunidade. Ele afirmou recentemente que L2s precisam ir além de serem versões mais baratas do Ethereum, e sua nova análise reforça a mesma ideia. Portanto, o foco deve estar na inovação prática e não na repetição de soluções de baixo impacto.
No curto prazo, a tendência indica que mais usuários devem retomar atividades diretamente na rede principal. Isso ocorre porque as melhorias tornam as transações mais rápidas e menos custosas. Além disso, projetos que não apresentarem novidades reais podem enfrentar queda contínua de uso.