Vitalik: Ethereum Foundation venderá menos ETH
Vitalik Buterin afirmou que a Ethereum Foundation (EF) passa por uma mudança estratégica que deve reduzir a venda de ETH e tornar sua atuação mais enxuta. Além disso, segundo ele, a organização pretende assumir um papel mais definido dentro do ecossistema. Dessa forma, a fundação deve priorizar resiliência de longo prazo, privacidade, segurança e resistência à censura.
Em uma publicação extensa na rede X, Buterin explicou que a ideia é deixar de tratar a fundação como o “centro do Ethereum”. Em outras palavras, ele busca reposicionar a EF como apenas uma parte dentro de um sistema mais amplo. Ainda assim, destacou que suas declarações representam uma visão pessoal, não uma decisão unilateral da organização.
“Antes de tudo, essa é apenas a minha opinião. O conselho não sou só eu, e não tenho poderes especiais em relação aos outros membros.”
Ele acrescentou que o conselho está se expandindo. Ao mesmo tempo, sua própria influência tende a diminuir, o que considera desejável. Assim, a governança deve se tornar mais distribuída, alinhada aos princípios da rede.
Fundação mais enxuta e foco em longo prazo
De acordo com Buterin, mudanças implementadas ao longo de 2025 melhoraram a execução e a eficiência da Ethereum Foundation. No entanto, surgiram críticas. Em especial, parte da comunidade apontou que valores como descentralização e privacidade nem sempre estavam refletidos com força suficiente nas ações da entidade.
Como resultado, a fundação passa a adotar um modelo mais restrito. Ainda assim, essa nova abordagem vem acompanhada de maior convicção nas decisões. Buterin descreveu a EF como “um nó com propósito definido, ao lado de outros nós”, e não como uma entidade central.
Essa mudança também traz implicações financeiras. Segundo ele, a Ethereum Foundation detém cerca de 0,16% de todo o ETH em circulação. Em comparação com outras redes, onde fundações controlam parcelas maiores do ativo, o Ethereum apresenta uma estrutura mais distribuída.
Além disso, Buterin relembrou que o papel fiscal original da EF era financiar o desenvolvimento da blockchain até marcos definidos antes do lançamento. Esse objetivo, conforme destacou, foi concluído em 2022.
“Hoje, a fundação está optando por usar seus recursos restantes para priorizar longevidade em vez de amplitude. Sim, isso significa vender menos ETH”, afirmou.
Assim sendo, a EF deve concentrar esforços em iniciativas críticas, como segurança, privacidade e resistência à censura. Ainda que profissionais e projetos relevantes permaneçam fora da fundação, eles podem continuar alinhados com a visão da rede.
Prioridades técnicas e riscos de foco excessivo em velocidade
Buterin também apresentou argumentos técnicos para justificar a nova direção. Em primeiro lugar, destacou o conceito de CROPS, sigla para resistência à censura, abertura, privacidade e segurança. Segundo ele, esses pilares devem orientar o desenvolvimento do Ethereum.
Por outro lado, alertou contra o foco exclusivo em métricas como latência extremamente baixa e alto volume de transações por segundo. “Para alguns, ‘impressionante’ significa 250 milissegundos de latência e 1 milhão de TPS. Acho que tentar seguir esse caminho seria um erro”, disse.
De acordo com Buterin, priorizar apenas velocidade pode levar à mediocridade. Ainda que o Ethereum continue evoluindo em escala, ele deve preservar seus diferenciais estruturais. Nesse sentido, citou o uso de inteligência artificial para verificação formal de código, o que pode tornar a rede praticamente livre de bugs.
Além disso, o modelo de consenso busca manter propriedades únicas. Em contraste com sistemas baseados em Bitcoin ou modelos tradicionais BFT, o Ethereum tenta equilibrar segurança e descentralização.
Menos intermediários e papel central do ETH
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de reduzir intermediários. Segundo Buterin, é “honestamente constrangedor” que carteiras de contratos inteligentes e protocolos de privacidade ainda dependam de terceiros para incluir transações na blockchain.
Por isso, iniciativas como FOCIL, EIP-8141, EIP-7701 e Kohaku ganham destaque. Essas soluções buscam melhorar a inclusão de transações, ampliar o acesso ao mempool público e evitar vazamentos de dados. Dessa maneira, a rede se torna mais eficiente e alinhada aos seus princípios.
Ao mesmo tempo, Buterin conectou essa visão técnica ao papel econômico do ETH. Ele descreveu o ativo como o principal “produto de alto valor” do ecossistema. Atualmente, cerca de US$ 250 bilhões em ETH estão protegidos pela blockchain.
Além disso, revelou que cerca de 90% de seu patrimônio líquido está em ETH. O restante está majoritariamente alocado em cerca de US$ 40 milhões destinados a iniciativas de código aberto nas áreas de biotecnologia, software e hardware.
No entanto, ele reconheceu que algumas ações necessárias para fortalecer o ETH não estão sob responsabilidade direta da Ethereum Foundation. Nesse sentido, outras organizações e grandes detentores do token devem ter papel relevante.
Por fim, Buterin afirmou que a nova estrutura da EF deve se estabilizar nos próximos meses. Em conclusão, a fundação tende a ser menor, mais focada e mais opinativa, mantendo o compromisso de contribuir para o desenvolvimento do ecossistema global.
No momento da publicação, o ETH era negociado a US$ 2.108.

ETH precisa superar nível de 0,382 de Fibonacci no gráfico semanal | Fonte: TradingView