Walmart cai após balanço e cortes de Goldman Sachs e BofA
As ações da Walmart caíram 9,2% na quinta-feira e atingiram a mínima do ano. Com isso, os papéis passaram a acumular queda superior a 20% em relação ao pico.
O movimento ocorreu após os resultados do segundo trimestre fiscal indicarem uma desaceleração do consumo nos Estados Unidos. Embora a companhia tenha superado as projeções de lucro e receita, os investidores reagiram negativamente aos dados de vendas comparáveis.
Vendas comparáveis frustram investidores
A empresa registrou lucro ajustado de US$ 0,81 por ação, acima da estimativa de US$ 0,74. Além disso, a receita alcançou US$ 187,9 bilhões, superando os US$ 186,75 bilhões esperados pelo mercado.
A Walmart também elevou sua projeção para o ano inteiro. Ainda assim, a revisão não acalmou os investidores diante do desempenho mais fraco das vendas comparáveis nos Estados Unidos.
Sem considerar combustíveis, as vendas comparáveis avançaram 2,6%, abaixo dos 3,7% projetados por Wall Street. Dessa forma, a companhia apresentou o crescimento mais lento desse indicador em seis anos.
Mesmo com a exclusão do impacto da divisão de saúde e bem-estar, as vendas comparáveis cresceram 3,4%. Contudo, o resultado também ficou abaixo das expectativas do mercado.
O gasto médio por transação subiu 1,1% no trimestre. Em contrapartida, o indicador havia avançado 3,1% um ano antes, sinalizando menor gasto dos clientes em cada compra.
Saúde, bem-estar e combustíveis pressionam resultados
O segmento de saúde e bem-estar contribuiu para o desempenho inferior ao esperado. Segundo a companhia, as negociações federais sobre preços de medicamentos reduziram as vendas comparáveis em 0,8%.
Nesse contexto, a Walmart informou que usará US$ 2,9 bilhões em reembolsos tarifários para manter preços competitivos. A empresa também projetou custos adicionais de US$ 2 bilhões relacionados aos combustíveis durante o ano.
Já no primeiro trimestre, os custos elevados de energia haviam reduzido o lucro em US$ 175 milhões. Portanto, o novo relatório ampliou as preocupações sobre a pressão exercida por essas despesas.
Paul Hickey, analista da Bespoke Investment Group, afirmou que o relatório reforçou o pessimismo iniciado após o primeiro trimestre. Enquanto isso, a administração classificou os consumidores como resilientes, mas reconheceu a pressão dos preços de alimentos e combustíveis.
Goldman Sachs e BofA reduzem preços-alvo
Kate McShane, analista do Goldman Sachs, reduziu o preço-alvo da WMT de US$ 141 para US$ 130. Apesar do corte, ela manteve a recomendação de compra para as ações.
McShane citou a melhora das perspectivas para o segundo semestre e as margens de dois dígitos no comércio eletrônico. Também destacou o potencial da empresa para conquistar participação de mercado.
Por sua vez, a estimativa do Goldman Sachs para o lucro por ação de 2026 caiu cerca de 2%. A revisão refletiu as pressões identificadas no balanço trimestral da varejista.
Avaliação elevada agrava reação do mercado
A BofA Securities também cortou seu preço-alvo, de US$ 144 para US$ 126, mas preservou a recomendação de compra. O banco apontou a desaceleração das vendas comparáveis e a avaliação elevada da Walmart.
Por outro lado, as vendas no varejo dos Estados Unidos caíram 0,6% em julho, ante expectativa de alta de 0,1%. O dado ampliou as preocupações com a capacidade de consumo das famílias americanas.
Nesse cenário, analistas do Goldman Sachs estimaram que o crescimento real dos gastos dos consumidores pode desacelerar para 1% no segundo semestre de 2026. Assim, o ambiente econômico segue pressionando o consumo e o desempenho das ações da Walmart.