Wix cortará 1.000 vagas em reestruturação com IA

A Wix vai demitir cerca de 1.000 funcionários, o equivalente a aproximadamente 20% de sua força de trabalho. A rodada representa o maior corte já registrado pela companhia. A medida ocorre em meio à pressão econômica e a uma reorganização ligada ao avanço da inteligência artificial no modelo de negócios.

O CEO Avishai Abrahami confirmou os desligamentos, que devem ocorrer nos próximos meses. No fim do primeiro trimestre de 2026, a empresa tinha cerca de 5.277 funcionários.

IA reduz demanda por funções de desenvolvimento e design

Os cortes estão diretamente ligados à estratégia mais agressiva da Wix em automação com IA. Em outras palavras, ferramentas criadas pela própria empresa passaram a executar tarefas que antes dependiam de equipes humanas. O impacto aparece sobretudo em áreas ligadas a desenvolvimento e design.

Esse reposicionamento tem como um dos principais pilares o Harmony, construtor de sites com tecnologia de IA desenvolvido pela companhia. A ferramenta busca permitir que usuários criem e gerenciem páginas com menos esforço manual. Ainda assim, a aposta elevou custos em um momento desfavorável para o negócio.

Ações da Wix acumulam queda de quase 50% no ano

Ao mesmo tempo, as ações da Wix acumulam queda de quase 50% em 2026. O movimento reflete resultados fracos no primeiro trimestre e mostra a preocupação dos investidores com a trajetória do negócio.

Em comunicação interna citada na apuração, Avishai Abrahami afirmou que a companhia estuda mudanças estruturais relevantes em resposta às necessidades de negócios em evolução. Assim, a empresa tenta reagir a um ambiente mais desafiador, pressionado por fatores econômicos e tecnológicos.

Embora a automação prometa ganhos de produtividade, a execução exige investimentos relevantes. Por consequência, o mercado passou a observar com mais rigor margens, receita e ritmo de expansão.

Concorrência aumenta no mercado de criação de sites

A Wix negocia ações em bolsa desde 2013 e construiu sua reputação como plataforma voltada a pequenas empresas e empreendedores individuais. Esse público buscava presença digital sem contratar um desenvolvedor.

Contudo, o cenário competitivo mudou. Ao longo dos anos, a companhia passou a disputar espaço com nomes como Squarespace, Shopify e uma nova geração de ferramentas nativas de IA para criação de sites.

O desafio atual vai além do lançamento de produtos. Redirecionar uma empresa com mais de 5.000 pessoas para um modelo centrado em IA exige investimento elevado. Além disso, provoca impactos operacionais relevantes. Os resultados do primeiro trimestre de 2026 deixaram esse custo mais visível para o mercado.

Por outro lado, a forte desvalorização dos papéis sinaliza o ceticismo dos investidores sobre a capacidade da transição gerar retorno. Ainda que a reestruturação reduza despesas operacionais nos próximos trimestres, o mercado segue atento à execução da estratégia.

Investidores monitoram receita e conversão de usuários

Para quem acompanha as ações WIX ou o setor de software como serviço, o caso se tornou um exemplo concreto do custo de uma guinada para IA. Afinal, cortar despesas pode aliviar a estrutura no curto prazo, mas não resolve sozinho um problema de crescimento.

O ponto central agora é saber se os produtos de IA da Wix conseguirão gerar novas receitas e atrair usuários pagantes em escala suficiente para justificar a mudança estratégica. Nesse sentido, a leitura para o mercado é direta: a empresa reconhece que a IA tornou redundante uma parcela relevante de sua força de trabalho.

Em especial, investidores devem observar se a Wix conseguirá transformar usuários gratuitos em assinantes pagos em ritmo capaz de compensar a pressão sobre a receita. Esse fator ajudou a derrubar as ações neste ano. Portanto, esse será o principal teste da reestruturação anunciada.

Com cerca de 1.000 demissões previstas, 5.277 funcionários ao fim do primeiro trimestre de 2026, queda de quase 50% das ações no acumulado do ano e investimento contínuo no Harmony, a Wix tenta ajustar sua estrutura ao avanço da IA. Em suma, a companhia busca eficiência enquanto enfrenta resultados fracos e cobrança crescente dos investidores.