WLF fecha acordo de US$500 mi com sheikh dos Emirados

A World Liberty Financial (WLF), empreendimento de cripto ligado à família Trump, firmou acordo de US$500 milhões com um fundo apoiado pelo sheikh Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos. O contrato foi assinado em janeiro de 2025, quatro dias antes da posse de Donald Trump para seu segundo mandato, o que ampliou o interesse internacional pelo negócio.

A transação foi realizada por meio da Aryam Investment 1, empresa vinculada a Tahnoon. O fundo investiu US$250 milhões na primeira etapa, quantia distribuída entre vários participantes do projeto. Desse valor, cerca de US$187 milhões seguiram para companhias da família Trump e mais de US$31 milhões para negócios pertencentes a fundadores do empreendimento, incluindo grupos ligados à família de Steve Witkoff. Além disso, a ausência de divulgação pública inicial intensificou questionamentos sobre o propósito do aporte estrangeiro.

Negócio levanta dúvidas políticas e estratégicas

A negociação chamou atenção por ocorrer em momento sensível da política norte-americana. Analistas, no entanto, destacaram que o sheikh Tahnoon é conhecido internacionalmente por atuar em setores de segurança e por comandar grandes conglomerados de tecnologia e investimento, como G42 e MGX. Sua posição influente dentro do governo dos Emirados reforçou discussões sobre possíveis implicações geopolíticas.

O sheikh é frequentemente apelidado de sheikh espião devido à proximidade com operações estratégicas e acordos globais. Assim, sua ligação anterior com empresas como Huawei já havia despertado preocupações sobre riscos tecnológicos. Portanto, o investimento bilionário em uma empresa de cripto relacionada à família de um presidente norte-americano reacendeu debates sobre influência externa.

Meses após o aporte, outro episódio ampliou o debate. Relatos públicos afirmaram que o governo Trump autorizou a venda de aproximadamente 500 mil chips de inteligência artificial fabricados nos Estados Unidos para os Emirados. Parte desse lote teria sido destinada à G42, companhia associada ao próprio Tahnoon. Isso alimentou especulações sobre possíveis conflitos entre interesses comerciais e decisões governamentais.

Pressão por investigações cresce nos EUA

Diante da revelação do acordo, parlamentares dos Estados Unidos pediram esclarecimentos formais. A senadora Elizabeth Warren, por exemplo, classificou o negócio como corrupto e defendeu investigações sobre a possível relação entre o investimento e a posterior liberação dos chips. Além disso, parlamentares afirmaram que a operação exige transparência. Visto que envolve figuras centrais na política americana e um dos líderes mais influentes do Oriente Médio.

Representantes da WLF e da Casa Branca negam qualquer vínculo entre o investimento estrangeiro e decisões do governo Trump. Segundo porta-vozes, os ativos do presidente permaneceriam sob gestão de trusts independentes. Assim, todas as medidas adotadas pela administração seriam orientadas apenas pelo interesse nacional.

Com a divulgação dos detalhes, de fato, intensificou-se o debate sobre interferência externa e riscos diplomáticos. Logo após, especialistas ressaltaram que o fato de o aporte ter sido concluído pouco antes da posse presidencial, somado à venda posterior de tecnologia sensível aos Emirados, deve permanecer no centro das discussões políticas e econômicas. Portanto, o acordo continua gerando repercussões que podem influenciar tanto a WLF quanto as relações entre os dois países nos próximos meses.