WLFI: Bloomberg aponta US$ 660 mi em ganhos

Uma investigação conduzida pela Bloomberg, publicada em 12 de maio, revelou novos detalhes sobre o projeto de criptomoedas WLFI, associado a membros da família Trump. Segundo a apuração, o grupo arrecadou cerca de US$ 1,55 bilhão com a venda de tokens. Como resultado, houve um aumento estimado de US$ 660 milhões em sua fortuna, incluindo transações que não haviam sido divulgadas anteriormente.

Os dados analisados, fornecidos pela plataforma Tokenomist.ai, indicam que, após duas rodadas públicas, o projeto vendeu mais 5,9 bilhões de tokens a investidores privados qualificados. Essas operações, avaliadas em centenas de milhões de dólares, ocorreram sem divulgação pública. Dessa forma, investidores de varejo não tiveram acesso às mesmas condições.

Estrutura financeira do WLFI levanta questionamentos

Documentos de governança do próprio projeto mostram que a DT Marks DEFI LLC, empresa ligada a Donald Trump, tem direito a 75% da receita gerada pela venda de tokens WLFI, após deduções operacionais. Além disso, entidades associadas ao ex-presidente detêm diretamente 22,5 bilhões de tokens.

O projeto confirmou a realização de vendas privadas, classificando-as como transações personalizadas com investidores institucionais. No entanto, não revelou a identidade dos compradores nem detalhou o destino dos recursos arrecadados, o que amplia preocupações entre analistas.

O WLFI foi cofundado por integrantes das famílias Trump e Witkoff. Zach Witkoff atua como CEO. Donald Trump e Steve Witkoff chegaram a ser listados como cofundadores honorários, mas essa informação foi posteriormente removida do site oficial. Um porta-voz afirmou que o site passa por atualizações regulares.

Diferença entre insiders e investidores de varejo

Enquanto participantes internos registraram ganhos expressivos, investidores de varejo enfrentam limitações relevantes. Aqueles que participaram das rodadas públicas iniciais permanecem com 80% de seus tokens bloqueados. Assim, não conseguem liquidar suas posições em um cenário de queda.

O token WLFI foi negociado abaixo de US$ 0,06 nesta semana, acumulando queda de cerca de 85% em relação à máxima histórica de US$ 0,46, conforme dados do BanklessTimes. Esse contraste evidencia a diferença entre os resultados obtidos por insiders e investidores comuns.

Para Eswar Prasad, professor da Universidade Cornell, o caso aponta um conflito de interesses relevante. Segundo ele, o empreendimento gera lucros significativos para seus criadores, ao mesmo tempo em que limita a participação dos demais investidores nos ganhos.

Disputas legais e uso de garantias ampliam riscos

O projeto também enfrenta disputas judiciais. Justin Sun, fundador da Tron e um dos principais investidores do WLFI, entrou com uma ação em abril em um tribunal federal de São Francisco. Ele acusa o projeto de extorsão e tentativa de confisco ilegal de tokens. Os cofundadores negam as acusações.

Além disso, a World Liberty depositou 5 bilhões de tokens WLFI no protocolo de empréstimos descentralizados Dolomite. O cofundador do protocolo possui ligação com o projeto. Em seguida, a empresa teria obtido cerca de US$ 75 milhões em stablecoins usando esses ativos como garantia.

Críticos argumentam que essa estrutura pode permitir a conversão de ativos em liquidez por parte de insiders, sem respeitar períodos de bloqueio que poderiam durar anos. Como consequência, cria-se uma vantagem adicional para participantes internos.

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O preço do WLFI segue em tendência de queda no gráfico diário. Fonte: Tradingview

Impacto no mercado de criptomoedas

O caso reforça preocupações recorrentes sobre transparência no mercado de criptomoedas. Um projeto ligado a figuras políticas relevantes conseguiu gerar bilhões, enquanto investidores comuns enfrentam perdas significativas.

Além disso, a ausência de comunicação ampla sobre as vendas privadas evidencia uma assimetria de informação. Nesse contexto, investidores institucionais e insiders acabam favorecidos.

Em conclusão, os dados indicam que o WLFI ampliou ganhos internos por meio de vendas privadas e estruturas financeiras complexas. Ao mesmo tempo, investidores iniciais permanecem com ativos bloqueados e desvalorizados, reforçando o debate sobre transparência e supervisão no setor.