WLFI enfrenta acusações de bloquear fundos

O projeto de finanças descentralizadas World Liberty Financial, associado publicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a enfrentar pressão após novas acusações envolvendo o token WLFI. Relatos recentes indicam que o ativo pode conter mecanismos capazes de restringir o acesso aos fundos dos usuários, o que levanta dúvidas sobre o grau de descentralização do projeto.

Em primeiro lugar, analistas destacam a elevada utilização de um pool de liquidez, atualmente próxima de 93%. Além disso, a redução das opções de saída para investidores ampliou preocupações sobre a estrutura operacional. Como resultado, o cenário passou a ser interpretado como potencialmente arriscado, sobretudo em períodos de maior volatilidade.

Acusações de bloqueio de carteiras ganham força

O fundador da Tron, Justin Sun, que investiu mais de US$ 100 milhões no projeto em duas rodadas, tornou públicas críticas na rede X. Segundo ele, o WLFI teria implementado uma possível “porta dos fundos” em seus contratos inteligentes, o que permitiria congelar ou limitar o acesso a fundos sem aviso prévio.

Justin Sun no X

De acordo com Sun, sua própria carteira teria sido incluída em uma lista de bloqueio em 2025. Assim, ele afirma ter sido uma das primeiras grandes vítimas do suposto mecanismo. Até o momento, o projeto WLFI não apresentou resposta oficial às alegações.

Além disso, especialistas apontam que funcionalidades desse tipo, caso confirmadas, entram em conflito com princípios centrais das finanças descentralizadas. Em outras palavras, a possibilidade de controle centralizado pode comprometer a transparência e a autonomia prometidas por projetos do setor.

WLFI análise

Estrutura financeira levanta questionamentos

Paralelamente, surgiram críticas sobre a estrutura financeira do WLFI. Dados da Arkham Intelligence indicam que o projeto depositou cerca de 2 bilhões de seus próprios tokens no protocolo de empréstimos Dolomite.

Com isso, a plataforma teria tomado mais de US$ 31 milhões em stablecoins. No entanto, essa operação elevou sua participação para aproximadamente 55% da liquidez do protocolo. Consequentemente, aumentaram as preocupações sobre concentração de risco.

Anteriormente, em fevereiro, o projeto já havia utilizado cerca de US$ 14 milhões de sua stablecoin interna, USD1, como garantia para obter US$ 11,4 milhões em USDC. Além disso, outros US$ 12,5 milhões em USD1 foram transferidos para a Coinbase Prime. Esse padrão reforça a percepção de dependência de ativos próprios.

Dados on-chain sugerem ainda que o WLFI utilizou aproximadamente 5 bilhões de tokens emitidos por ele mesmo para captar cerca de US$ 75 milhões em liquidez externa. Nesse sentido, parte do mercado interpreta a estratégia como próxima a um modelo de financiamento circular. Embora não seja necessariamente ilegal, a prática pode elevar riscos sistêmicos.

BTC/USD em negociação a US$ 71.125. Gráfico: TradingView

Queda no preço amplia pressão do mercado

Enquanto as incertezas aumentam, o mercado reagiu negativamente. O token WLFI caiu abaixo de US$ 0,08, acumulando perdas superiores a 20% nos últimos 30 dias. Dessa forma, investidores passaram a adotar uma postura mais cautelosa.

Ao mesmo tempo, o pool de empréstimos baseado em USD1 opera próximo da capacidade máxima. Isso tende a dificultar retiradas e ampliar a percepção de risco. Por conseguinte, cresce a preocupação com eventuais restrições adicionais de liquidez.

Movimentações recentes elevam desconfiança

Relatórios indicam que cerca de 3 bilhões de tokens WLFI foram movimentados na primeira semana de abril. Esse volume elevado, aliado às acusações recentes, intensificou o clima de desconfiança entre investidores e analistas.

Justin Sun, por sua vez, solicitou publicamente o desbloqueio dos tokens e maior transparência nas operações. Além disso, defendeu mudanças estruturais para reforçar a segurança dos participantes. Contudo, até agora, não há confirmação de medidas concretas por parte da equipe do projeto.

Em suma, as alegações de bloqueio de carteiras, o uso intensivo de tokens próprios como garantia e a recente queda de preço colocam o WLFI sob pressão. Nesse contexto, a confiança do mercado tende a depender de esclarecimentos e eventuais ajustes na governança do protocolo.