World lança mercados de previsões com Chainlink

A World lançou o site world.xyz em 9 de setembro, após operar durante meses dentro da carteira Phantom. A plataforma abriu o acesso para uma lista de espera com mais de um milhão de usuários. Contudo, o volume de acessos derrubou temporariamente o site durante a estreia.

Desde a integração com a Phantom, os usuários criaram mais de 150 mil mercados de previsões. A oferta abrange esportes, criptomoedas, política, finanças, economia e cultura. Além disso, a plataforma usa dados da Chainlink para liquidar contratos sem painel humano, votação de governança ou período de contestação.

Como a World funciona na Solana

A seleção inicial inclui todos os jogos da temporada regular da NFL, sete ligas de futebol e corridas de Fórmula 1. Também há contratos sobre as eleições legislativas dos Estados Unidos em 2026 e decisões do Federal Reserve. Depois, a World pretende adicionar mercados relacionados a ações, commodities e clima.

Cada mercado emite contratos de sim e não, negociados entre US$ 0 e US$ 1. Quando a fonte de dados confirma o resultado, o sistema paga US$ 1 ao lado vencedor. Assim, a estrutura acompanha o modelo tradicional de contratos binários vinculados a eventos.

O protocolo não mantém os recursos dos clientes sob custódia. Os fundos movimentam-se somente quando o usuário entra em um mercado, enquanto as ordens seguem para provedores de liquidez na Solana. Nesse modelo, a stablecoin CASH processa as liquidações e a Phantom resgata automaticamente as posições vencedoras.

Os usuários não precisam abrir conta em corretora ou registrar-se em uma exchange. Eles pagam apenas as taxas da rede Solana para abrir e fechar posições. Por outro lado, essa estrutura elimina intermediários capazes de revisar um resultado contestado.

Três modelos para resolver mercados

A Kalshi aplica um livro de regras por meio de uma operadora regulada, com supervisão federal e canal de reclamações. Dessa forma, uma entidade identificada determina o resultado e pode corrigir eventuais erros. Em contrapartida, essa discricionariedade pode gerar decisões contestadas pelos participantes.

A Polymarket utiliza um oráculo otimista para resolver seus contratos. Inicialmente, um participante propõe o resultado e o protocolo abre uma janela para contestações. Caso ocorra uma disputa, os detentores do token de governança votam sobre a resolução.

Já a World usa o Chainlink Data Streams para obter informações e o Chainlink Runtime Environment para executar a liquidação. Quando uma partida termina ou um evento alcança o prazo estabelecido, o sistema encerra o contrato. Logo, o modelo reduz a discricionariedade, mas também limita a capacidade de corrigir falhas.

Para resultados objetivos, a automação pode acelerar os pagamentos. Por exemplo, placares, preços do Bitcoin em horários determinados e decisões publicadas pelo Federal Reserve geram dados legíveis por máquinas. Portanto, uma janela de disputa poderia apenas atrasar contratos com pouca margem para interpretação.

Esse formato também amplia a capacidade operacional da plataforma. Afinal, processos que exigem atenção humana limitam a quantidade de mercados disponíveis. Consequentemente, administrar mais de 150 mil mercados seria mais difícil com um sistema baseado em revisões manuais.

“A Kalshi levantou cerca de US$ 1,12 bilhão por meio de uma oferta privada de ações. Cerca de US$ 380 milhões continuam disponíveis no mesmo aviso da SEC, após a anterior Série F da plataforma de mercados de previsões, avaliada em US$ 22 bilhões.”

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Liquidação automática traz limites

Eventos ambíguos não possuem uma fonte de dados capaz de eliminar todas as dúvidas. Um contrato sobre uma renúncia, um cessar-fogo ou uma declaração pública depende de definições prévias. Nesse sentido, o desafio não consiste em medir um dado, mas em determinar o que ele representa.

Falhas no feed também podem provocar liquidações incorretas. Se a fonte apresentar uma informação errada ou atrasada, o programa executará o contrato com base nesse dado. Além disso, os participantes não podem contestar a informação antes da movimentação dos fundos.

Partidas adiadas, corridas abandonadas e anúncios remarcados criam outro obstáculo. Livros de regras podem anular contratos quando esses cenários ocorrem. A World, no entanto, executa as condições definidas antecipadamente, embora nenhum texto consiga prever todas as situações.

Na prática, o usuário não encontra uma instância de recurso após a execução. Participantes da Kalshi podem reclamar à exchange ou ao regulador, enquanto outros modelos permitem iniciar uma disputa. Na World, a liquidação representa o resultado final do programa.

“O mercado sobre o vencedor da Copa do Mundo na Polymarket fechou com US$ 4,3 bilhões. O volume na Polygon estabeleceu um novo recorde como o maior mercado de previsões on-chain.”

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Regulação e distribuição pela Phantom

A World lista contratos sobre jogos da NFL, eleições legislativas norte-americanas e decisões do Federal Reserve. Essas categorias enfrentam disputas regulatórias nos Estados Unidos. Reguladores estaduais, tribos da Califórnia e legisladores questionam principalmente os contratos relacionados a esportes.

A Kalshi possui licença federal como mercado de contratos designado. Já a Polymarket atende o mercado doméstico por meio de uma exchange adquirida pela empresa. Ainda assim, ambas enfrentam processos, enquanto a World direciona ordens para provedores de liquidez em uma blockchain pública.

Os materiais de lançamento não abordam restrições geográficas. Essa ausência ganha relevância porque alguns contratos oferecidos enfrentam litígios ativos nos Estados Unidos. Embora a natureza não custodial possa afastar certas normas, reguladores já alcançaram plataformas offshore ao identificar seus operadores.

A Phantom representa o principal canal de distribuição do produto. A carteira está entre as mais utilizadas na Solana e já abrigava a World antes do lançamento do site independente. Assim, a lista de espera aproveitou uma base de usuários previamente estabelecida.

Chainlink amplia presença no setor

A infraestrutura reforça a posição da Chainlink nos mercados de previsões. Outra plataforma adotou Data Streams e Runtime Environment no mesmo ano para automatizar a criação, a resolução e a liquidação de contratos de preços. Com isso, dois serviços passaram a utilizar a mesma estrutura tecnológica.

A adoção compartilhada pode indicar a formação de um padrão para contratos baseados em dados objetivos. Ao mesmo tempo, a tecnologia ainda precisa demonstrar como lida com informações incorretas e eventos excepcionais. A primeira liquidação amplamente contestada poderá testar esses limites.

O que observar na World

A composição dos mais de 150 mil mercados será um indicador importante. Contratos baseados em dados objetivos ajustam-se melhor à liquidação automatizada. Entretanto, eventos sujeitos a interpretações podem expor a ausência de revisão humana e mecanismos de recurso.

Também será relevante acompanhar o volume efetivamente negociado. O número de mercados criados mede a oferta, mas não revela quanto capital ou interesse cada contrato atrai. Portanto, a demanda ajudará a mostrar a dimensão real da adoção.

Finalmente, possíveis restrições geográficas poderão alterar o alcance da plataforma. Concorrentes também podem adotar modelos híbridos que combinem automação e revisão humana. Essas escolhas ajudarão a definir o desenvolvimento dos mercados de previsões baseados em blockchain.