XRP: 76,8 bi expostos a risco quântico, diz Vet
Uma análise recente no XRP Ledger revelou um dos pontos mais sensíveis da segurança no mercado de criptomoedas. Conforme o validador Vet, integrante da dUNL, cerca de 76,82 bilhões de XRP estão em contas com chaves públicas já expostas. Ao todo, o levantamento avaliou mais de 7,8 milhões de contas, oferecendo uma visão detalhada sobre o impacto potencial da computação quântica na rede.
Em princípio, o estudo não aponta risco imediato. Ainda assim, destaca um desafio relevante de governança e adaptação tecnológica. Segundo Vet, quando soluções resistentes à computação quântica forem implementadas, usuários ativos poderão migrar seus fundos. Por outro lado, contas inativas representam um problema estrutural.
“Eventualmente precisaremos de cripto à prova de computação quântica. Quando isso acontecer, os usuários poderão mover seus fundos para contas seguras”, afirmou Vet.
O principal risco, portanto, está ligado a carteiras sem acesso. Ou seja, endereços cujos donos perderam as chaves, esqueceram ativos ou faleceram. Nesse cenário, essas contas podem se tornar vulneráveis à medida que a computação quântica evoluir.
Critérios técnicos e volume exposto no ledger
De acordo com a análise, uma conta só é considerada exposta após realizar uma transação assinada, momento em que a chave pública é revelada. Em contrapartida, contas que nunca movimentaram fundos permanecem protegidas dentro do modelo atual.
Com base nesse critério, cerca de 5,6 milhões de contas estão expostas, somando 76,82 bilhões de XRP. No entanto, aproximadamente 96% desse total pertence a contas ativas. Dessa forma, a maioria ainda poderá adotar medidas de proteção no futuro.
Por outro lado, contas inativas concentram os maiores riscos. Aproximadamente 3,83% do XRP exposto está parado há pelo menos cinco anos, o equivalente a cerca de 2,94% da oferta total. Além disso, contas existentes desde 2013 representam apenas 0,03% do volume exposto.
Em termos de quantidade de endereços, cerca de 1,33 milhão de contas apresentam inatividade prolongada com exposição. Já o grupo mais antigo reúne aproximadamente 15 mil contas. Assim, embora proporcionalmente limitado, o risco permanece relevante no longo prazo.
Comparação com Bitcoin amplia debate
O estudo também comparou o cenário do XRP com o do Bitcoin. Segundo Vet, a exposição potencial no XRP é menor, especialmente quando comparada às carteiras mais antigas da rede Bitcoin.
No caso do Bitcoin, estima-se que cerca de 5% da oferta esteja em endereços antigos. Muitas dessas carteiras são atribuídas a Satoshi Nakamoto, o que indica baixa probabilidade de migração para padrões mais seguros.
Esse contraste levanta um debate mais amplo. Afinal, redes blockchain precisarão decidir como lidar com ativos inativos diante de avanços tecnológicos. Enquanto usuários ativos conseguem se adaptar, contas abandonadas permanecem vulneráveis.
Portanto, surge uma questão crítica: as redes devem intervir nesses casos ou aceitar o risco como parte do sistema? Nesse sentido, o tema ultrapassa a tecnologia e alcança a governança descentralizada.
Multiassinatura e limitações práticas
Além disso, o levantamento indica que cerca de 27% das contas do XRP Ledger já são consideradas seguras contra riscos quânticos, somando aproximadamente 23,16 bilhões de XRP. Em geral, são contas que nunca expuseram suas chaves públicas ou utilizam estruturas mais protegidas.
No entanto, carteiras multiassinatura não garantem proteção total. O estudo identificou 242 carteiras desse tipo contendo 36,60 bilhões de XRP, com múltiplas chaves já visíveis no ledger.
“Mesmo configurações avançadas exigem rotação disciplinada de chaves para manter a segurança”, alertou Vet.
Do ponto de vista operacional, esse detalhe é crucial. Contas simples permanecem seguras até realizarem transações. Já estruturas multiassinatura dependem do número de chaves expostas para manter a proteção.

No momento da análise, o XRP era negociado a US$ 1,3758. Em outras palavras, embora a maior parte dos fundos permaneça sob controle ativo, uma parcela relevante segue exposta. Como resultado, a evolução da segurança no XRP Ledger dependerá tanto da adoção de soluções resistentes à computação quântica quanto de decisões estratégicas sobre contas inativas.