XRP cai 32% em 2026 e fica atrás do Bitcoin

Apesar do forte rali do Bitcoin em 2026, o XRP segue em queda e não acompanha o movimento positivo do mercado de criptomoedas. Enquanto o Bitcoin supera US$ 80.000 e impulsiona ativos como Ethereum, o token associado à Ripple permanece pressionado, sobretudo por dinâmicas internas ligadas às exchanges.

Dados do CoinMarketCap indicam que o XRP acumula desvalorização superior a 32% no ano. Atualmente, o ativo é negociado próximo de US$ 1,4, bem abaixo da máxima de US$ 3,6 registrada em 2025. Ainda que ocorram recuperações pontuais, a tendência predominante segue negativa.

Diante disso, cresce o questionamento entre investidores sobre a capacidade do ativo de acompanhar o ciclo atual de alta. Afinal, enquanto outras criptomoedas registram ganhos consistentes, o XRP demonstra sinais de fraqueza estrutural.

Fluxo em exchanges ajuda a explicar pressão

Segundo análise de ChaCha, movimentos recentes nas exchanges ajudam a explicar o desempenho inferior. Em primeiro lugar, há mudanças relevantes na distribuição de tokens entre plataformas globais.

Em 3 de maio de 2026, o saldo total de XRP em exchanges era de aproximadamente 16,14 bilhões de unidades, após uma redução de cerca de 2,29 milhões de tokens. Além disso, desde fevereiro de 2025, a queda acumulada supera 15,8%, o que equivale a aproximadamente 3,04 bilhões de XRP.

XRP

Fonte: ChaCha no X

Em geral, saídas de tokens das exchanges sugerem acumulação de longo prazo. No entanto, no caso do XRP, há um componente adicional. Parte relevante desses ativos não apenas sai das plataformas, mas também é redistribuída de forma estratégica.

Enquanto exchanges como Bithumb, Uphold, Bitbank e Evernorth Treasury registraram saídas, plataformas como Binance e Upbit apresentaram forte entrada. Desde fevereiro de 2025, a Binance recebeu cerca de 6,5 bilhões de XRP, enquanto a Upbit acumulou aproximadamente 2,55 bilhões.

Esse comportamento indica possível intenção de venda por parte de investidores. Como resultado, o aumento da oferta disponível para negociação pressiona o preço do token.

Liquidez elevada limita reação

O fluxo direcionado a grandes exchanges, especialmente Binance e Upbit, sugere liquidez pronta para venda. Assim, mesmo em um cenário amplamente positivo no mercado, o XRP enfrenta dificuldade para reagir.

Além disso, o sentimento ainda fragilizado contribui para a falta de tração. Em contraste com o Bitcoin, que atrai demanda institucional crescente, o XRP depende mais de fatores específicos de mercado.

Como consequência, o desequilíbrio entre oferta e demanda ajuda a explicar por que o ativo não acompanha o desempenho das principais criptomoedas.

Dados recentes indicam possível inflexão

Atualizações divulgadas em 5 de maio apontam uma possível mudança de tendência. Segundo ChaCha, as exchanges passaram a registrar mais saídas do que entradas de XRP.

Entre as plataformas analisadas, a Upbit liderou as retiradas, com cerca de 6,48 bilhões de tokens, o que representa uma queda de 40,23% em seus saldos. Além disso, a Crypto.com registrou saídas relevantes de aproximadamente 340,6 milhões de XRP, ou 2,11%.

Por outro lado, a Binance ainda apresenta entrada líquida significativa, com mais de 2,54 bilhões de XRP adicionados recentemente. Portanto, a pressão vendedora no curto prazo ainda não foi totalmente eliminada.

XRP

XRP sendo negociado a US$ 1,44 no gráfico diário. Fonte: TradingView

Cenário ainda exige cautela

Mesmo com sinais iniciais de reversão, o XRP continua enfrentando obstáculos relevantes. A concentração de tokens em exchanges de alto volume permanece elevada, o que sustenta o risco de novas liquidações.

Além disso, embora o saldo total em exchanges tenha diminuído ao longo do tempo, o aumento em plataformas estratégicas reforça a leitura de pressão vendedora em momentos-chave.

Em outras palavras, o ativo segue condicionado a fatores estruturais de liquidez e fluxo. Enquanto o Bitcoin lidera o ciclo de alta do mercado cripto, o XRP permanece atrás, refletindo um desequilíbrio persistente entre oferta, demanda e confiança.