XRP: divisão de tokens infla contagem de baleias

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Uma redistribuição de XRP roubados da Binance criou seis carteiras acima do limite de 1 milhão de tokens em 2 de novembro. Por isso, o aumento na contagem de grandes endereços não indica necessariamente novas compras ou acúmulo por investidores. A movimentação mostra como transferências podem distorcer indicadores on-chain quando faltam dados sobre a origem dos saldos.

Nesse contexto, a empresa de análise on-chain Bitquery rastreou a divisão dos recursos de uma conta receptora para sete novos endereços. Seis deles superaram a marca de 1 milhão de XRP, enquanto o sétimo recebeu uma quantia pequena. Assim, a contagem de grandes carteiras cresceu sem a entrada comprovada de novos compradores.

Tokens de XRP foram distribuídos entre sete carteiras

Em atualização divulgada em 3 de novembro, a Binance detalhou a saída dos recursos. Cinco hot wallets enviaram 233,46 milhões de XRP para um endereço controlado pelo invasor. As transferências ocorreram entre 20h05 e 20h09 UTC de 29 de outubro.

Segundo os dados da Bitquery, cinco destinatários receberam 40.001.000 XRP cada em 2 de novembro. Além disso, outro endereço recebeu 33.455.920 XRP. A sétima carteira recebeu somente 1.000 tokens.

Em uma contagem bruta de endereços com ao menos 1 milhão de XRP, seis novas carteiras qualificadas substituíram uma carteira qualificada. Dessa forma, o saldo líquido seria um aumento de cinco endereços, caso o remetente integrasse a contagem anterior. Ainda assim, esse movimento representa uma redistribuição dos recursos existentes, e não uma nova compra.

Metodologia pode alterar a leitura do indicador

Esse cálculo depende de todos os seis destinatários permanecerem acima do limite de 1 milhão de XRP. Também exige uma cobertura consistente dos endereços incluídos na análise. Logo, diferenças de metodologia ou do horário de observação podem alterar a leitura do indicador.

Um único lote de XRP roubados pode aparecer como vários grandes saldos, sem a participação de outro comprador. Nesse sentido, diferenciar redistribuição de acúmulo exige rastrear a origem dos recursos e identificar endereços ligados ao mesmo grupo. Sem esse cruzamento, a contagem isolada pode sugerir uma demanda que não existiu.

Origem dos saldos muda a análise do XRP

Em análise de 29 de outubro, Amr Taha, da CryptoQuant, avaliou as saídas de XRP das exchanges. A participação das transferências menores subiu de 17% em 30 de setembro para 33,4% em 29 de outubro. Contudo, essa mudança não comprova um aumento equivalente nos saldos mantidos por investidores independentes.

Separadamente, a CryptoQuant apontou uma relação de 33,44% entre os volumes spot e futuros de XRP na Binance em 28 de outubro. Em outras palavras, houve US$ 33,44 em negociações spot para cada US$ 100 movimentados no mercado futuro. Porém, o tamanho de uma transferência não revela se o destinatário é um novo investidor.

Contagem de carteiras exige contexto adicional

Até 3 de novembro, a Bitquery não havia registrado novas transações partindo dos sete endereços. Enquanto isso, a Binance afirmou que absorveria o impacto financeiro do ataque. A corretora também declarou que já havia reposto 98% dos recursos em tokens afetados até 31 de outubro.

Para investidores, a origem dos grandes saldos deve ter prioridade sobre a quantidade de endereços. Na prática, a contagem de baleias de XRP ganha relevância quando acompanha novas compras e saldos independentes. Neste caso, a divisão dos recursos roubados explica seis grandes carteiras e não confirma pressão compradora adicional.

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