XRP e SWIFT podem coexistir nos bancos, diz Dula
XRP e SWIFT aparecem com frequência como rivais na modernização dos pagamentos internacionais. No entanto, essa leitura pode simplificar demais a estrutura do sistema financeiro global. Em vez de uma disputa direta, o cenário apontado por James Dula envolve a convivência entre a infraestrutura bancária tradicional e soluções de liquidação baseadas em blockchain.
A interpretação ganhou força após comentários de James Dula no X. Segundo ele, parte do mercado mistura duas camadas distintas dos pagamentos internacionais. Em outras palavras, mensageria não equivale a liquidação, embora ambas participem do mesmo fluxo operacional.
Assim, a discussão sobre o papel do XRP muda de direção. Em vez de perguntar se a SWIFT substitui o ativo associado ao ecossistema da Ripple, o ponto central passa a ser como cada tecnologia pode atuar em uma função específica dentro da arquitetura bancária.
Mensageria e liquidação têm papéis distintos
Na prática, a SWIFT opera como uma camada de comunicação entre instituições financeiras. Sua rede transmite instruções de pagamento, confirma detalhes operacionais e coordena a troca de informações entre bancos de vários países. Além disso, a estrutura ajuda a padronizar mensagens e a organizar processos de conformidade regulatória.
Recentemente, a SWIFT avançou em um framework que envolve mais de 50 bancos. A proposta inclui processamento mais rápido e melhor rastreamento das operações. Ainda assim, sua função principal permanece ligada à mensageria, não à liquidação final do valor.
É justamente nesse ponto que o XRP entra no debate. Para James Dula, a atualização da SWIFT não coloca a rede bancária automaticamente em concorrência direta com o ativo. Afinal, os dois elementos não tentam resolver o mesmo problema técnico dentro do sistema financeiro.
Com efeito, a liquidação exige uma camada própria. Essa etapa corresponde à transferência efetiva de valor entre as partes. Por isso, uma rede de comunicação pode coexistir com um ativo ou trilho de liquidação, desde que cada componente atenda a uma necessidade diferente.
Projetos mais próximos da função da SWIFT
Na visão de James Dula, os concorrentes mais próximos da SWIFT no setor de blockchain seriam redes voltadas à interoperabilidade e à comunicação entre sistemas. Entre os nomes citados estão Axelar, LayerZero, Wormhole e Chainlink. Esses protocolos se concentram no transporte de informações e na coordenação de atividades entre ambientes distintos.
Dessa forma, eles se aproximam mais do papel tradicional exercido pela SWIFT do que o XRP propriamente dito. Portanto, a comparação entre SWIFT e XRP pode estar mal posicionada desde o início. Uma atua principalmente na transmissão de mensagens. A outra entra na conversa quando o foco recai sobre liquidação e eficiência no deslocamento de valor.
Bancos testam mais de uma rota para pagamentos globais
Esse argumento ganha força quando se observa o perfil das instituições envolvidas. Segundo James Dula, muitos bancos que participam do novo framework da SWIFT também mantêm relações com a Ripple ou, ao menos, já testaram soluções de pagamento baseadas em blockchain ligadas ao seu ecossistema.
Entre os nomes mencionados estão JPMorgan, HSBC, Deutsche Bank, Standard Chartered e Santander. Essas instituições aparecem com frequência em pesquisas com ativos digitais, testes com blockchain e programas de modernização de pagamentos. Assim, o comportamento desses bancos sugere uma estratégia menos excludente e mais pragmática.
Em vez de abandonar um sistema para adotar outro, essas instituições parecem explorar tecnologias complementares. De um lado, uma rede de mensageria pode organizar transações, padronizar comunicações e concentrar dados regulatórios. Ao mesmo tempo, uma camada de liquidação separada pode acelerar a transferência de valor e reduzir ineficiências operacionais.
Esse modelo híbrido enfraquece a tese de uma guerra direta entre XRP e SWIFT. Pelo contrário, ele indica uma arquitetura financeira mais modular, na qual cada solução ocupa uma posição específica. Nesse sentido, a SWIFT continuaria como infraestrutura global de comunicação entre bancos, enquanto tecnologias associadas ao XRP atenderiam demandas ligadas à liquidação.
O que esse cenário sinaliza para o mercado
Se essa leitura estiver correta, o futuro dos pagamentos internacionais não será decidido por um único vencedor. Antes de tudo, a direção adotada pelos bancos aponta para integração entre sistemas tradicionais e tecnologia de ativos digitais. Essa combinação pode melhorar a eficiência operacional sem exigir a substituição imediata de toda a infraestrutura existente.
Além disso, essa convivência ajuda a explicar por que grandes instituições seguem testando múltiplas frentes ao mesmo tempo. Em mercados complexos, a adoção tecnológica costuma ocorrer por camadas. Assim sendo, mensageria, interoperabilidade e liquidação podem evoluir em paralelo, cada uma com seu papel.
Fonte: TradingView
No centro da discussão permanece a separação entre mensageria e liquidação. Enquanto a SWIFT expande seu framework com mais de 50 bancos para acelerar processamento e rastreamento, James Dula sustenta que sua função central continua sendo a comunicação entre instituições. Paralelamente, JPMorgan, HSBC, Deutsche Bank, Standard Chartered e Santander seguem no radar de pesquisas e testes com blockchain. Por isso, a possibilidade de convivência entre a infraestrutura da SWIFT e soluções ligadas ao XRP ganha força no debate sobre pagamentos globais.