XRP: Hoskinson critica modelo da Ripple e alerta
O fundador da Cardano, Charles Hoskinson, voltou a criticar a Ripple e levantou dúvidas sobre o papel do XRP dentro do modelo de negócios da empresa. Em entrevista recente, ele afirmou que investidores do token podem não se beneficiar como imaginam. Além disso, apontou que a companhia venderia grandes volumes do ativo para financiar suas operações.
Hoskinson questiona demanda e estrutura do XRP
Em primeiro lugar, Hoskinson argumenta que não há elementos claros que sustentem uma demanda orgânica consistente pelo XRP. Segundo ele, a Ripple utilizaria suas reservas como fonte de financiamento, vendendo tokens para sustentar aquisições e expansão.
Além disso, o executivo afirmou que a empresa chegou a controlar cerca de 80% da oferta total do ativo. Na sua avaliação, esse nível de concentração centraliza poder excessivo e, por consequência, pode limitar a distribuição de valor aos investidores.
Estratégia de valorização levanta dúvidas
Outro ponto envolve a estratégia de valorização. Hoskinson sugere que a Ripple pode impulsionar o preço do XRP para, em seguida, vender parte de suas participações e financiar novos projetos. Embora essa prática exista no mercado, ele questiona os efeitos diretos para os holders.
Ademais, destacou que o XRP Ledger ainda não apresenta, segundo sua visão, mecanismos robustos de finanças descentralizadas ou staking. Nesse sentido, a ausência desses recursos reduziria incentivos para uma demanda contínua. Assim, o crescimento do ecossistema dependeria mais da atuação da empresa do que da utilidade direta do token.
Como resultado, Hoskinson avalia que esse modelo pode gerar desequilíbrios. Enquanto a Ripple se beneficia da valorização, investidores não têm garantias de retorno proporcional, o que ele descreve como uma concentração relevante de valor.
Relação entre Ripple e investidores entra em debate
Por outro lado, Hoskinson também criticou o que considera uma falta de alinhamento com os detentores de XRP. Segundo ele, mesmo com expansão operacional e receitas crescentes, a empresa não realiza programas de recompra, mantendo a venda de tokens no mercado.
Ausência de direitos corporativos é ponto central
Outro aspecto destacado envolve a natureza do ativo. Possuir XRP não concede participação societária na Ripple. Ou seja, investidores não têm acesso a lucros, ações ou direitos corporativos, o que reforça a separação entre o desempenho da empresa e o retorno direto ao investidor.
Ainda assim, há contrapontos. A Ripple tem ampliado a integração do XRP em seus produtos, o que pode fortalecer sua utilidade ao longo do tempo. Um exemplo inclui a incorporação do token em soluções de tesouraria e infraestrutura financeira.
Além disso, a empresa realizou aquisições relevantes, como Hidden Road e GTreasury, posteriormente integradas ao ecossistema. Contudo, críticos ressaltam que essas iniciativas não garantem benefícios diretos aos holders.
Por sua vez, o CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, já afirmou em diversas ocasiões que o XRP é peça central na estratégia da companhia, sendo base para o conceito de “internet do valor”.
No momento da apuração, o XRP era negociado próximo de US$ 1,40, com leve queda nas últimas 24 horas, conforme dados do CoinMarketCap.
Em conclusão, as declarações de Hoskinson reforçam um debate estrutural sobre o modelo da Ripple. Ao mesmo tempo em que a empresa avança em integração e expansão, persistem questionamentos sobre concentração de oferta, venda de tokens e alinhamento de incentivos com investidores do XRP.