XRP: Iso Ledger detalha custos e riscos do earnXRP

Um modelo recente de rendimento com XRP passou a atrair investidores em busca de renda passiva no mercado de criptomoedas. Ainda assim, apesar do apelo inicial, surgem questionamentos relevantes sobre a viabilidade dos ganhos. Nesse sentido, o analista conhecido como Iso Ledger examinou o funcionamento do earnXRP, solução associada à Upshift e à Flare Network.

Embora a proposta indique retornos atrativos, a estrutura do produto envolve custos e riscos técnicos. Por isso, a avaliação cuidadosa torna-se essencial antes de qualquer alocação.

Taxas reduzem o retorno efetivo do XRP

Custos iniciais impactam a rentabilidade

Em primeiro lugar, o processo inclui múltiplas taxas desde a entrada. A conversão de XRP em FXRP, ativo “wrapped” usado na Flare Network, gera custo entre 0,5% e 1%. Além disso, o depósito no cofre da Upshift adiciona nova cobrança, reduzindo o saldo produtivo.

Na prática, um aporte de 1.000 XRP resulta em cerca de 993 FXRP após as primeiras deduções. Ademais, há taxa adicional de rede e serviço próxima de 1,149875 XRP. Posteriormente, no resgate, incide mais uma cobrança ao redor de 0,5%.

Como resultado, o custo total do ciclo pode chegar a cerca de 13 XRP para um depósito de 1.000 unidades. Dessa forma, a rentabilidade líquida é pressionada, sobretudo no curto prazo.

Embora o protocolo divulgue retornos de até 10%, Iso Ledger considera essa estimativa otimista. Em contrapartida, projeta algo próximo de 4% ao ano. Nesse cenário, 1.000 XRP renderiam cerca de 40 XRP anuais.

Assim sendo, o investidor levaria aproximadamente quatro meses apenas para compensar os custos iniciais. Mesmo com valores maiores, como 10.000 XRP, a dinâmica permanece semelhante, pois as taxas são proporcionais.

Riscos técnicos ampliam a exposição

Contratos, pontes e liquidez entram no radar

Além das taxas, o earnXRP carrega riscos estruturais. O uso de contratos inteligentes, por exemplo, implica vulnerabilidades potenciais. Afinal, falhas de código e ataques já causaram perdas relevantes no mercado cripto.

Outro ponto envolve a perda impermanente. Esse fenômeno ocorre quando as condições de mercado variam enquanto os ativos ficam bloqueados. Como consequência, o valor efetivo pode cair, mesmo com geração de rendimento.

Ao mesmo tempo, o modelo depende de operações entre mercados distintos. Caso os spreads diminuam, os retornos tendem a cair. Além disso, o prazo de saque pode chegar a 72 horas, o que limita a liquidez em momentos de volatilidade.

O uso do FXRP também levanta preocupações. Por se tratar de um ativo “wrapped”, ele depende de pontes entre blockchains, historicamente vistas como pontos frágeis de segurança. Falhas nesse tipo de estrutura já resultaram em perdas milionárias.

Outro aspecto relevante é a transparência. Iso Ledger relatou que tentou contato com a equipe da Upshift com cinco perguntas técnicas, mas recebeu apenas uma resposta breve, sem esclarecimentos completos. Isso dificulta uma avaliação mais profunda dos riscos.

Por fim, o analista afirmou que prefere aguardar o avanço do XLS-66d. A proposta pode viabilizar rendimentos diretamente no XRP Ledger, eliminando a necessidade de ativos “wrapped” e reduzindo a exposição a riscos adicionais.

XRP gráfico

XRP sendo negociado em gráfico diário | Fonte: TradingView

Em conclusão, ao considerar taxas, retorno projetado e riscos técnicos, o earnXRP tende a oferecer ganhos mais modestos do que o divulgado. Portanto, a decisão de investimento exige análise criteriosa da estrutura e dos custos envolvidos.