Yuan: Scott Bessent rejeita acordo; EUA ampliam tarifas

Scott Bessent chegou à reunião de líderes financeiros do G20 defendendo uma revisão dos termos comerciais com Pequim. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos quer reduzir os desequilíbrios globais sem recorrer a um acordo para valorizar o yuan. Para ele, a solução passa por mudanças estruturais na economia chinesa.

Bessent afirmou que o atual fluxo de exportações chinesas se tornou insustentável. Contudo, ele disse que a relação comercial direta entre Estados Unidos e China está “melhorando rapidamente”. Em declaração à Reuters, o secretário afirmou que “o mundo não pode ter uma China com um superávit comercial de US$ 1,2 trilhão”.

Na avaliação de Bessent, a economia chinesa continua fraca e tenta exportar sua saída da estagnação. Em vez disso, ele defende que o país reequilibre seu crescimento em direção ao consumo interno.

Washington descarta ajuste coordenado do yuan

O ponto central da posição americana envolve uma proposta defendida por economistas e líderes europeus. Eles sugeriram coordenar a valorização do yuan em uma iniciativa semelhante ao Acordo do Plaza de 1985. Na época, as grandes economias coordenaram a desvalorização do dólar diante de outras moedas.

Entretanto, Bessent rejeitou esse caminho de forma direta. Para ele, um novo acordo do Plaza seria “uma maneira fácil de evitar o verdadeiro problema comercial”. Assim, Washington afasta o câmbio do centro de sua estratégia para pressionar Pequim.

Segundo o secretário, o problema não está apenas no patamar da moeda chinesa. Em sua avaliação, os subsídios industriais reduzem artificialmente os preços das exportações da China. Ao mesmo tempo, a demanda doméstica permanece cronicamente fraca.

Por isso, Bessent questiona a eficácia de impor uma moeda mais forte. O Fundo Monetário Internacional estima que o renminbi esteja subvalorizado em até 21%. Porém, para o secretário, uma valorização corrigiria o sintoma sem enfrentar a causa.

Tarifas ocupam o espaço do ajuste cambial

Esse posicionamento fecha, ao menos para Washington, a porta para o uso de um acordo cambial. Dessa forma, o governo americano concentra sua resposta nos atritos comerciais e nas tarifas. Essa estratégia já avança, embora enfrente uma base legal instável.

A Suprema Corte derrubou as tarifas amplas impostas pelo governo Trump sob uma lei de emergência. A decisão também atingiu a alíquota de 20% aplicada às importações chinesas. Como resultado, o Tesouro precisa reconstruir sua política tarifária item por item.

Em julho, Washington aplicou uma tarifa de 12,5% sobre produtos chineses após uma investigação sobre trabalho forçado. Além disso, o governo prepara novas cobranças relacionadas a uma apuração sobre o excesso de capacidade industrial da China.

A barreira já alterou os fluxos comerciais. O déficit dos Estados Unidos com a China caiu um terço em termos anuais no primeiro semestre de 2026. O saldo negativo alcançou US$ 73,9 bilhões, conforme dados do Census Bureau.

Ainda assim, Bessent reconhece que as tarifas não eliminam as exportações chinesas. Elas apenas redirecionam os produtos para outros mercados. Com isso, parte do volume contido pelos Estados Unidos seguiu para a Europa e a América Latina.

Nesse contexto, Washington pressiona os demais integrantes do G20 a revisarem seus termos comerciais com Pequim. A estratégia americana não pretende apenas proteger o mercado doméstico. Ela também busca formar um cerco entre blocos e encarecer o acesso chinês a mercados alternativos.

Yuan barato mantém tensão entre China e Estados Unidos

A estimativa do FMI reforça a percepção de que a moeda chinesa permanece em nível baixo. O Goldman Sachs calculava uma subvalorização de pelo menos 20%. Enquanto isso, o Banco Popular da China vinha definindo diariamente uma taxa de referência mais fraca que a indicada pelo mercado.

Desse modo, Pequim limita a valorização do yuan e protege seus exportadores. Permitir a alta da moeda ajudaria a reduzir os desequilíbrios apontados por Bessent. No entanto, essa medida enfraqueceria uma importante alavanca exportadora enquanto a demanda interna segue insuficiente.

Pequim, portanto, prefere manter o yuan barato. Washington agora prioriza tarifas em vez de um acordo cambial. Assim, nenhuma das duas capitais demonstra disposição para ceder por meio do câmbio.

Encontro entre Trump e Xi pode testar a trégua

Para quem acompanha o debate sobre desvalorização monetária, o sinal envolve mais o calendário do que uma mudança de direção. Um ajuste coordenado, com um dólar mais fraco, sustentava parte da tese de erosão das moedas fiduciárias. Contudo, a rejeição de Bessent adia essa possibilidade.

As tarifas reorganizam fluxos comerciais sem ampliar diretamente a emissão de dólares ou reavaliar moedas. Por consequência, elas postergam a transferência da pressão dos desequilíbrios comerciais para o câmbio.

A cúpula prevista entre Donald Trump e Xi Jinping para o fim de setembro deve testar a trégua tarifária. Os dois lados avaliam cortar tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em bens não estratégicos. Ainda assim, não há indicação de um acordo amplo para valorizar o yuan.

As delegações também discutem salvaguardas para impedir que modelos avançados de inteligência artificial cheguem a atores não estatais. Enquanto as negociações prosseguem, o reequilíbrio global continua pendente. O debate sobre desvalorização monetária também permanece em aberto.