zkAPI pode enviar depósitos expirados ao tesouro
A implementação do zkAPI na mainnet colocou em operação um modelo privado de pagamentos para inteligência artificial. O sistema, cocriado por Davide Crapis e Vitalik Buterin, funciona na rede Ethereum. No entanto, depósitos mantidos em notas ativas podem seguir para o tesouro após o vencimento.
A Open Anonymity desenvolveu a implementação com a Ethereum Foundation. Crapis e Buterin publicaram o desenho técnico do protocolo em 11 de fevereiro. Já o registro da criação do vault mostra que o contrato surgiu em 30 de setembro, um dia antes do anúncio.
O anúncio descreve o vault associado como detentor de créditos em USDC. Contudo, o manifesto atual da mainnet identifica o contrato como nativo em ETH, com saldos calculados em gwei inteiros. A atividade do contrato também registra depósitos e pagamentos de encerramento em ETH.
Como o protocolo libera o saldo pré-pago
No protocolo zkAPI, cada depósito financia uma nota. A carteira preserva localmente o estado privado dos gastos e usa provas para autorizar o serviço medido. Dessa forma, cada solicitação de API não movimenta fundos diretamente na blockchain.
Conforme o usuário consome o serviço, o servidor assina um estado sucessor com o saldo restante. Por isso, a recuperação exige que o usuário mantenha os dados necessários para provar o valor disponível. Caso perca a nota ou os registros de recuperação, ele poderá não comprovar seu direito ao saldo.
O encerramento mútuo exige autorização do servidor. Nesse processo, uma chave de assinatura separada autoriza o saque, enquanto a carteira inclui a assinatura na prova. Então, o vault verifica a prova e transfere o saldo para um destino definido pelo usuário. Esse destino pode diferir do endereço que financiou a nota.
Retirada de emergência abre período de contestação
A retirada de emergência elimina a necessidade de uma nova autorização do servidor. Primeiro, a carteira inicia o processo, e o vault retira a nota do conjunto ativo. Depois, o contrato registra um pagamento pendente. A configuração pública da mainnet estabelece uma contestação de 86.400 segundos, ou 24 horas.
Se ninguém apresentar uma contestação válida, a finalização transfere o saldo registrado ao destino do usuário. Ao mesmo tempo, o vault envia ao tesouro a diferença entre o depósito e o saldo retirado. Assim, uma interrupção do servidor não elimina automaticamente a rota documentada de saída.
Cada estado de gasto possui um nullifier, identificador criptográfico que impede reutilizações. Para contestar a saída, alguém precisa apresentar uma prova anterior com o mesmo nullifier. O código do vault mantém a raiz histórica necessária para essa verificação.
Uma contestação válida cancela o pagamento pendente e devolve a nota ao conjunto ativo. Entretanto, o contrato não aplica uma multa financeira separada ao usuário. O mecanismo também não avalia se o provedor calculou corretamente a cobrança pelo serviço medido.

Pausa e vencimento alteram as opções de saída
O proprietário do vault pode pausar depósitos, encerramentos mútuos e novas retiradas de emergência. Portanto, ele pode bloquear uma saída sem aval do servidor antes que o processo comece. Em contrapartida, a pausa não impede finalizações pendentes, contestações ou pedidos de expiração.
O manifesto define uma vida útil de 30 dias para cada nota. Porém, o contrato soma esse prazo ao momento do depósito e arredonda o resultado para o próximo limite diário. Logo, o vencimento efetivo pode ocorrer depois de 30 dias corridos.
Após o vencimento de uma nota ativa, qualquer pedido de expiração pode encerrar a posição. Nesse caso, o vault envia todo o depósito registrado ao tesouro. A regra difere do saque comum, no qual o usuário recebe o saldo comprovado. Por outro lado, uma nota com retirada pendente não pode receber um pedido de expiração.
Cobrança em dólar não estabiliza o depósito
A documentação sobre a cobrança nativa em ETH afirma que o depósito não representa um saldo estável em dólar. Também não ocorre uma conversão do valor para USDC. Consequentemente, o valor do depósito em dólares varia conforme o preço do ETH.
O serviço de inferência cobra valores denominados em dólar a partir de uma cotação aceita. Navegador e servidor verificam uma rodada ETH/USD da Chainlink registrada em um estado finalizado da rede. Em seguida, vinculam a cotação à autorização e mantêm a taxa durante a liquidação e a recuperação.
O sistema converte o uso medido em dólares para uma cobrança limitada, expressa em gwei inteiros e arredondada para cima. Fixar a cotação impede que uma retomada recalcule a mesma autorização. Ainda assim, o procedimento não estabiliza o valor em dólares do ETH restante na nota.
Dependências operacionais e limites de confiança
O manifesto da mainnet seleciona emissão de chaves pela OA-org e inferência via OpenRouter. Recibos do provedor e estados sucessores assinados pelo servidor continuam essenciais para a liquidação. Além do mais, o usuário precisa preservar os dados da carteira e manter software de provas compatível.
A operação também exige uma visão confiável da rede e a atuação tempestiva de contestadores. Sem esses componentes, a retirada de emergência pode não funcionar como o usuário espera. O vencimento da nota limita ainda mais o período disponível para recuperar os fundos.
O sistema depende de uma suposição criptográfica separada. A documentação da configuração informa que uma única parte gerou as chaves Groth16. Como não houve cerimônia multipartes, a destruição dos segredos da configuração permanece uma questão de confiança. Os hashes apenas identificam os arquivos usados.
O manifesto classifica a integração como experimental e não auditada para produção. Enquanto isso, o provedor de inferência ainda visualiza o conteúdo dos prompts, e metadados de rede podem permitir correlações. Em síntese, a saída de emergência amplia o controle do usuário. Entretanto, sua utilidade depende da recuperação do estado e da disponibilidade do vault antes do vencimento.
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