ZKsync dispara e investigação na Coreia do Sul avança

O token ZKsync registrou um salto incomum na Upbit em 1º de fevereiro, durante uma manutenção que reduziu a liquidez do par. A reação inesperada chamou a atenção das autoridades sul-coreanas, que passaram a avaliar o caso com mais rigor e iniciaram uma análise preliminar sobre possível manipulação.

Investigação sobre os movimentos do token

O ZKsync era negociado perto de US$ 0,023 no início da manhã. No entanto, poucos minutos antes da manutenção programada, o preço atingiu aproximadamente US$ 0,24. Assim, o salto próximo a 1.000 por cento ocorreu em um intervalo muito curto. Após o término da manutenção, o token voltou rapidamente aos níveis anteriores, o que reforçou as suspeitas de movimentos atípicos.

A Financial Supervisory Service informou que revisa a gravidade do episódio. Além disso, a autoridade avalia transformar o caso em uma investigação formal, caso encontre evidências sólidas.

Volume anormal na Upbit contrasta com rivais

O volume de negociações também impressionou. De acordo com dados da Upbit, a alta ultrapassou 4.000 por cento no dia. Em outras exchanges globais, porém, o comportamento foi bem diferente. Na Coinbase, por exemplo, o volume subiu cerca de 150 por cento, enquanto o preço avançou menos de 40 por cento.

Binance e Bybit exibiram variações moderadas, com altas inferiores a 55 por cento e volumes estáveis. Portanto, a discrepância reforçou a suspeita de atuação concentrada na Upbit, já que o padrão destoou do mercado internacional.

Dados do CoinGecko mostraram que quase 40 por cento das negociações do ZKsync ocorreram na Upbit após o pico. Mesmo assim, o ativo representava menos de 2 por cento do volume total da plataforma no dia anterior, o que indicava baixa demanda local antes do evento.

Indícios de coordenação entre carteiras

A imprensa local relatou análises que sugerem compras organizadas pouco antes da manutenção. Cerca de 15 carteiras, que estavam inativas, adquiriram mais de 4,2 milhões de ZKsync nos 30 minutos anteriores à pausa técnica. Logo após o pico, essas carteiras venderam grandes quantidades e obtiveram lucros estimados em US$ 18,7 milhões.

Assim, especialistas consideram que o padrão indica possível ação coordenada para inflar o preço artificialmente em um momento de baixa liquidez. A hipótese de manipulação ganhou força diante da sequência de compras e vendas registradas.

Reguladores ampliam vigilância no setor

A Coreia do Sul endureceu as regras com a chegada da Virtual Asset User Protection Act, vigente desde 2024. Portanto, práticas qualificadas como manipulação podem gerar prisão superior a um ano e multas de até cinco vezes o lucro obtido. Caso investidores sofram prejuízos diretos, penalidades adicionais podem ser aplicadas.

O episódio ocorre em um ambiente de fiscalização crescente. Recentemente, um tribunal de Seul condenou o CEO de uma gestora de cripto a três anos de prisão por manipular preços na Bithumb. Além disso, a FSS planeja usar ferramentas de inteligência artificial para rastrear negociações suspeitas em tempo real.

Assim, o caso reacende debates sobre transparência durante manutenções técnicas e vulnerabilidade de altcoins em momentos de liquidez reduzida. A continuidade da apuração pode gerar novas medidas de supervisão e maior rigor no mercado local.