A verdade sobre a correlação entre Bitcoin e ouro

Correlação entre Bitcoin e ouro no ano de 2020 é a maior já vista

Com a correlação Bitcoin-ouro de 76,3%, até o momento, os analistas de mercado voltam a comentar o quão crucial é essa correlação, principalmente no que diz respeito ao que ela implica. Contudo, o que é interessante notar aqui é que essa correlação foi negativa na maior parte dos últimos dois anos. Ou seja, antes do rally do Bitcoin em 27 de julho mudar a narrativa.

correlação Bitcoin ouro

Fonte: Skew

 

É muito importante abordar essa correlação porque, aos olhos de muitos analistas, as correlações são uma ferramenta útil para determinar a direção do movimento do preço da criptomoeda. Enquanto isso está em debate, o que não não está sendo dito é que o preço do Bitcoin é determinado por uma série de fatores que incluem mais do que apenas estatísticas de correlação.

Por exemplo, o importante analista da rede Kevin Svenson foi um dos que recentemente tuitou sobre a correlação entre Bitcoin-S&P 500 e Bitcoin-ouro.

BTC and Gold: Strongly correlated or uncorrelated?

Fonte: Twitter

 

Basear as previsões de preços na correlação com ativos não-cripto pode não ser a melhor jogada, já que a correlação Bitcoin-ouro antes de 2018 era negativa a ponto de ser descartada como acidental. Uma correlação semelhante pode ser observada entre Bitcoin e ações de tecnologia ou índices de ações como VIX.

Entretanto, em 2020, uma correlação positiva pode ser derivada do fato de que o preço do Bitcoin se recuperou da queda pós halving e o RoI está acima de 53% no acumulado do ano. Portanto, embora a correlação seja evidente e se aplique ao atual ciclo do mercado, ela será relevante? E, se sim, por quanto tempo?

Para determinar por quanto tempo a correlação permanecerá relevante, é importante verificar por que ela existe em primeiro lugar. Bitcoin e ouro são extraídos e sua escassez leva a um suprimento inelástico. Esta é a base fundamental de correlação, no entanto, também leva à consideração do Bitcoin como uma “reserva segura de valor”, com um foco particular em “seguro” aqui.

Na realidade, o Bitcoin não é um ativo “seguro”. Há volatilidade associada a ele e, apesar do ouro digital ou de sua narrativa de armazenamento de valor, pode-se argumentar que foi a escalabilidade que impulsionou seu valor.

Na verdade, uma pesquisa publicada pela International Review of Financial Analysis revelou que o ouro desempenha um papel importante nos mercados financeiros, com fuga para a qualidade em tempos de crise. Contudo, o Bitcoin se comporta de maneira exatamente oposta, uma vez que está positivamente correlacionado com os mercados com tendência de queda. Além disso, o Bitcoin está mais correlacionado com outras criptomoedas durante outras fases de seu ciclo de mercado do que com o ouro.

BTC and Gold: Strongly correlated or uncorrelated?

Fonte: CoinMetrics

 

A correlação do Bitcoin com outras criptomoedas como Ethereum, XRP e Tron é positiva e varia de 40% a 90%, de acordo com os dados da Coinmetrics. A ideia por trás da correlação de falar é prever o movimento do preço, no entanto, o preço do Bitcoin é influenciado por vários fatores além de sua correlação. Dito isso, pode-se argumentar que é possível que a correlação com o ouro possa ajudar a prever o preço em uma fase (a fase de acumulação) do ciclo de mercado do Bitcoin.

Existe uma correlação Bitcoin-Gold que pode ser usada para avaliar possíveis movimentos de preços na fase de pós-redução e acumulação do ciclo de mercado. No entanto, a correlação do BTC com outros cripto-ativos permanece mais forte e deve ser preferida para previsões mais precisas.

Fonte: AMBCrypto

Foto de Marcelo Roncate
Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader aposentado. Segue firme como entusiasta do Bitcoin e inimigo declarado das pirâmides financeiras.