Brasil: 2019 é o ano das pirâmides financeiras

Número de pirâmides financeiras mais do que dobrou no Brasil em relação a 2018

Se 2018 foi um ano marcado pela queda do BTC, talvez 2019 acabe mais famoso no Brasil como o ano das pirâmides financeiras. JJ Invest, BNY Mellon, Unick Forex, Grupo Bitcoin Banco, InDeal, FX Trade, os exemplos são inúmeros. As acusações não partem de opiniões ou postagens nas redes sociais, mas da Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM).

Todas as empresas citadas acima, estando em operação ou não, já foram acusadas pela CVM de atuação irregular ou estão passando por investigação administrativa. É triste, mas a situação não parece estar caminhando para uma melhoria futura.

 

Imagem por: IstoÉ

 

Desde 2013 o número de pirâmides financeiras no Brasil aumentou mais de dez vezes. De 2018 para cá o número mais do que dobrou. Se pensarmos que ainda estamos em setembro, infelizmente esse número tende a subir ainda mais.

O site Sucesso Network possui uma lista chamada “Black List” com todas as pirâmides em atuação no Brasil, incluindo as já finalizadas e as que ainda se encontram em fase de suspeita/investigação. Você pode conferir essa lista clicando aqui. Spoiler: o número é assustador!

Não seja uma vítima

Os principais motivos que levam uma pessoa a cair em uma pirâmide financeira são a ambição por ganhos rápidos e a falta de educação financeira.

Para evitar cair em tais golpes, portanto, é bastante importante conhecer pelo menos o básico de economia/investimentos. Entender as diferenças entre renda fixa e renda variável, os principais modelos de investimento, porcentagem média de retorno e taxa de juros. Pessoas bem informadas são menos propícias a se tornarem alvo de golpistas.

Um exemplo prático que mescla educação financeira e  ambição é a oferta de “investimentos milagrosos”. Comparado aos Estados Unidos, por exemplo, onde os juros são de apenas 2,5%, no Brasil a taxa básica de juros pode ser considerada “alta”. Nada próximo do que já foi visto em anos anteriores, acima de 10%, nossos 6% atuais representam ganhos moderados no longo prazo através de investimentos em renda fixa.

Nada que faça uma pessoa ficar rica. É nesse momento que as pirâmides financeiras encontram suas vítimas: pessoas que, com pouco ou muito capital, querem ganhos elevados em pouco tempo. Atraídos por promessas de “retorno garantido”, os clientes cedo ou tarde acabam sendo lesados pelos golpistas.

Em 2018 a poupança teve um rendimento médio de aproximadamente 4,55% no ano. É realmente pouco se comparado a outros investimentos de renda fixa.

O ponto chave aqui, contudo, é o referencial. Se a poupança em 2018 pagou menos de 5% em 12 meses, será seguro acreditar em uma empresa que diz pagar 1-3% ao dia? Obviamente não. Modelos sustentáveis não oferecem ganhos exorbitantes, menos ainda em curtos períodos.

Tenha em mente: se estão te oferecendo 10, 20, 30% ao mês, caia fora pois certamente é uma pirâmide financeira.

Ações e criptomoedas, por vezes, oferecem ganhos de 100, 200, 300% em curtos períodos, como é o caso do Bitcoin em 2019. Contudo, aqui há o fator risco. Não há nenhuma garantia de que amanhã o Bitcoin estará valendo mais que hoje. Nesse tipo de mercado, perder é uma possibilidade real. Há um alto risco para uma elevada expectativa de retorno.

Se o retorno é enorme (principalmente de maneira fixa) e o risco é dito (pela empresa que está vendendo o suposto “investimento”) como pequeno, desconfie!

Imagem de Pete Linforth por Pixabay

Foto de Marcelo Roncate
Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader desde 2017. Aficionado por tecnologia e entusiasta das criptomoedas, viu no WeBitcoin a oportunidade de unir duas paixões.