O Bitcoin pode subir em um cenário deflacionário?

Na contramão do petróleo, Bitcoin pode ganhar com os desdobramentos da atual crise econômica

A atual crise econômica é, de fato, uma montanha-russa. Em dias como 12 de março, por exemplo, tudo parece indicar que o caminho é para baixo, que o Bitcoin não consegue atuar suficientemente bem como uma reserva de valor e que as pessoas estão perdendo a confiança nele.

Pouco tempos depois temos um aumento significativo no número de pessoas decidindo holdar Bitcoin para fugir da crise. Relatamos ontem que uma nova pesquisa da Paxful indica que metade dos estadunidenses usuários de criptomoedas estão comprando Bitcoin para se proteger da inflação. Você pode ler essa matéria completa clicando aqui.

Com as pessoas preocupadas com a desvalorização do dinheiro, movimentos de intensa baixa, como o visto no petróleo essa semana, tornam-se mais frequentes. No caso mencionado, com a diminuição da demanda o preço caiu substancialmente, chegando até mesmo a valores negativos no Canadá.

Isso leva à deflação, muito menos falada e conhecida do que a inflação. Nesse processo os preços caem muito, com as pessoas acreditando que o dinheiro poderá valer mais no futuro. Contudo, na prática, isso faz com que os preços caiam mais ainda.

A queda dos preços do petróleo são resultados de um processo deflacionário, conforme aponta o analista Holger Zschaepitz:

“A commodity mais importante do mundo está perdendo rapidamente todo o valor e apontando para uma crise econômica global muito mais profunda: o petróleo cai abaixo de ZERO em um dia devastador para a indústria global. A derrota enviará uma onda deflacionária pela economia global.”

Embora a deflação seja péssima para economia, ela permite um aumento no poder de compra das pessoas. Nesse cenário, a demanda por dólar e ouro tende a aumentar. Como efeito colateral, o Bitcoin pode sair ganhando.

Ou seja, nos cenários mencionados, as pessoas acabam confiando no Bitcoin em duas frentes distintas: compram Bitcoin para se proteger da inflação, impedindo que seu dinheiro se desvalorize, e também comprar na deflação, para aumentar seu poder de compra e consumo.

Assim como o ouro teve um importante aumento no interesse durante as últimas crises econômicas, o mesmo tende a ser visto com o Bitcoin.

Outro fator que reforça esse ponto é o halving do ativo, que tornará o Bitcoin mais escasso, reduzindo a recompensa da mineração. Nessa semana o BTC inclusive iniciou um movimento de alta, atingindo US$ 7.800, recuando posteriormente para US$ 7.500.

Faltando menos de 20 dias para o halving, não seria surpresa alguma ver a moedinha dourada subindo ainda mais, principalmente se processos deflacionários ganharem força na economia global.

Foto de Marcelo Roncate
Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader desde 2017. Aficionado por tecnologia e entusiasta das criptomoedas, viu no WeBitcoin a oportunidade de unir duas paixões.