O halving do Bitcoin é ruim para os mineradores e bom para todos os outros

Uma taxa mais baixa de criação de novas unidades do Bitcoin (graças ao halving) significa que a rede consome menos energia

A rede do bitcoin sofreu uma mudança significativa na segunda-feira, à medida que o número de novos bitcoins produzidos em cada bloco caiu pela metade (halving). Isso está de acordo com um cronograma estabelecido pelo fundador do BTC, Satoshi Nakamoto, há quase 12 anos.

Anteriormente, cada bloco da blockchain vinha com 12,5 novos bitcoins no valor de aproximadamente US$ 110.000. Agora, cada bloco inclui apenas 6,25 novos bitcoins no valor de US$ 55.000.

Esse é um desafio para a indústria de mineração de BTC, que obtém a maior parte de sua receita dessas recompensas dos blocos. Mas isso tem um efeito colateral feliz para todo mundo: o consumo de energia da rede do bitcoin provavelmente cairá nos próximos meses, com os lucros mais baixos das mineradoras de BTC forçando seus participantes a apertar os cintos.

Menor receita da mineradora significará menor consumo de energia

Para construir um bloco, os mineradores fazem uma lista de todas as transações enviadas desde que o bloco anterior foi criado. Eles correm um contra o outro, executando milhões de trilhões de cálculos de hash SHA-256 a cada segundo, procurando um bloco que produza um hash abaixo de um valor arbitrariamente baixo.

O vencedor recebe a recompensa do bloco (anteriormente 12,5 bitcoins, agora 6,25 bitcoins), bem como quaisquer taxas de transação incluídas em transações individuais. No momento, as taxas de transação valem muito menos do que o valor da recompensa do bloco – cerca de 0,6 bitcoins, ou US$ 5.000, por bloco. Portanto, o halving significa que a renda dos mineradores caiu quase pela metade da noite para o dia.

Esse repentino declínio nas recompensas pela mineração significa que a mesma é subitamente muito menos lucrativa. Exceto por um grande aumento no preço do BTC, podemos esperar que os mineradores de bitcoin parem temporariamente de investir em novo hardware de mineração nos próximos meses. Se a mineração de bitcoin se tornar pouco rentável, alguns mineradores podem até desativar o hardware de mineração menos eficiente porque não está gerando bitcoins suficientes para cobrir os custos operacionais.

No curto prazo, menos recursos gastos na mineração devem levar a uma taxa mais lenta de criação de bitcoin. No entanto, a rede possui um processo automático para garantir que os bitcoins sejam gerados a uma taxa mais ou menos constante. A cada duas semanas, a rede altera a dificuldade do problema de hash para manter a rede produzindo cerca de seis blocos por hora.

Se a rede estiver produzindo blocos muito lentamente, diminui a dificuldade do problema de hash aumentando o intervalo de valores de hash considerados “vencedores”. Se a rede estiver produzindo mais de seis blocos por hora, ela fará o oposto: dificultando o problema de hash para diminuir a taxa de criação de blocos.

O resultado é que, a longo prazo, a rede do bitcoin sempre produz um bloco a cada 10 minutos, não importa quanto poder de hash a rede tenha.

Os mineradores, é claro, querem obter lucro, e a concorrência entre eles mantém as margens de lucro razoavelmente constantes no longo prazo. Portanto, se as receitas da mineração de bitcoin caírem pela metade, isso acabará se traduzindo em mineradores gastando cerca da metade para produzir esses bitcoins. A eletricidade é um dos maiores custos da mineração de BTC; dessa forma, o halving deve reduzir a quantidade de eletricidade consumida pela mineração de bitcoin em uma proporção semelhante.

E isso é significativo porque a rede do bitcoin é estupendamente inútil. Os números exatos são conhecidos apenas pelos próprios mineradores, mas o site Digiconomist estima que a rede tenha consumido entre 50 e 70 TWh por ano – aproximadamente a mesma energia que as 8 milhões de pessoas na Suíça. Não devemos esperar que esse número caia pela metade imediatamente, mas se o preço do bitcoin permanecer no mesmo nível, esperamos vê-lo caindo nos próximos meses.

O halving elevará o preço do Bitcoin – mas não muito

Obviamente, os preços mais altos do BTC poderiam compensar esse efeito. Os preços mais altos do bitcoin elevam as receitas de cada bloco e, portanto, a quantidade que as pessoas estão dispostas a gastar para extrair um bloco. Assim, um preço mais alto do bitcoin induziria as mineradoras a comprar mais hardware de mineração e aumentar o uso de eletricidade.

Houve muita discussão no mundo do bitcoin sobre os efeitos prováveis ​​do halving no preço do bitcoin. Ontem foi a terceira vez que a recompensa do bloco diminuiu. Cortes anteriores ocorreram em 2012 e 2016 (o próximo é esperado em 2024). O preço do bitcoin aumentou 30 vezes no ano após o halving de novembro de 2012. Ele triplicou no ano seguinte com o halving de julho de 2016 – depois subiu ainda mais no segundo semestre de 2017.

Os touros do bitcoin esperam que um declínio de 50% no novo suprimento de BTC exerça pressão crescente sobre o preço do bitcoin.

Contudo, devemos esperar que esse efeito seja muito mais silencioso desta vez. A criação de bitcoins está diminuindo exponencialmente ao longo do tempo, enquanto o estoque de bitcoins existentes tem aumentado. Atualmente, existem mais de 18,4 milhões de bitcoins em circulação, de um total de 21 milhões que serão criados. Apenas 656.250 foram criados no ano anterior ao halving de ontem, um número que cairá para 328.125 no próximo ano. Em outras palavras, o halving reduz a “taxa de inflação” anual do BTC de 3,6% para 1,8%.

Essa provavelmente não é uma diferença grande o suficiente para ter muito impacto no preço do bitcoin. Isso não quer dizer que o preço do BTC não suba – a moeda é famosa por ser volátil. Mas qualquer impacto do halving no preço do bitcoin provavelmente não será percebido.

Fonte: ARS Technica

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Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader desde 2017. Aficionado por tecnologia e entusiasta das criptomoedas, viu no WeBitcoin a oportunidade de unir duas paixões.