Stablecoins: como fica a questão da liberdade?

Stablecoins ganham força e preocupam na questão da privacidade

Parece que o mundo cripto (e não apenas ele) está a cada dia mais acelerado. Apenas nos últimos meses tivemos a guerra comercial entre China e Estados Unidos que impactou diretamente o preço do Bitcoin como explicamos aqui, as questões regulatórias envolvendo a Libra do Facebook e o anúncio da stablecoin do governo chinês.

A questão que fica em foco aqui é que as stablecoins (lembre-se que a Libra também pretende ser uma) começam a gerar preocupação no meio cripto. Principalmente o fato de termos uma stablecoin estatal pode anunciar que, no futuro, outros governos possam lançar suas próprias moedas.

Semelhante ao que foi relatado pela coindesk, as stablecoins potencialmente resolvem um dos maiores problemas relacionados a projetos de contrato inteligente e blockchain. Até agora, os projetistas de soluções blockchain para cadeias de suprimento ou remessas tinham duas opções de mecanismo de pagamento: eles podiam fazer de uma criptomoeda volátil, como bitcoin que a maioria das pessoas ainda não usa ou, da maneira cara e tradicional, usar os bancos já estabelecidos.

Se, em vez disso, uma unidade monetária comprovada, como o dólar, tivesse qualidades de contrato inteligente programáveis, novas formas eficientes e significativas de comércio seriam, em teoria, possíveis.

Mas como fica a questão da centralização? Outrora era defendido que as criptos deveriam ser livres e descentralizadas. Com a Ripple, Libra e a moeda da China cada vez mais essa ideia vai caindo por terra.

Outro problema também estrá relacionado à privacidade. Moedas centralizadas em torno de governos levantam o debate da restrição de liberdade. A China em maior grau preocupa, ainda pela recente invasão de liberdades de civis que alimentou protestos em Hong Kong. Empresas e pessoas não querem que seus próprios governos, muito menos governos estrangeiros, monitorem seus gastos.

As stablecoins são apontadas como fortes candidatas à um real estabelecimento futuro. As implicações disso podem não ser as melhores para os usuários comuns.

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Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader desde 2017. Aficionado por tecnologia e entusiasta das criptomoedas, viu no WeBitcoin a oportunidade de unir duas paixões.