“Há uma chance real do preço do Bitcoin não subir após o halving”

O posicionamento “pé no chão” sobre o halving do Bitcoin é de Meltem Demirors, CSO da CoinShares

A diretora de estratégia da CoinShaes, bem como uma das mais proeminentes defensoras de criptomoedas, Meltem Demirors, falou sobre o próximo halving do Bitcoin. Segundo ela, pode não ter o efeito edificante que muitas pessoas parecem esperar, porque o mercado de derivativos de Bitcoin está crescendo, causando mais especulação do que propriedade e transferência de Bitcoins.

Preço do Bitcoin pode não ser impulsionado pelo halving

O halving do Bitcoin talvez seja um dos eventos próximos mais discutidos na comunidade de criptomoedas. Como reduzirá a recompensa do bloco pela metade, a oferta de Bitcoins recém-criados no mercado será substancialmente reduzida. Isso faz com que muitas pessoas acreditem que o evento terá um efeito positivo no preço do Bitcoin.

Meltem Demirors, CSO da CoinShares, no entanto, não está particularmente empolgado com a noção. “Há uma possibilidade muito real de que o preço do Bitcoin não suba depois halving.” – disse ela em um tópico recente no Twitter.

A principal razão para isso é a crescente influência e impacto do mercado de derivativos do Bitcoin. Segundo Demirors, a maioria das empresas procura negociar derivativos, e não o ativo subjacente.

Demirors também fez uma comparação entre o Bitcoin e os mercados tradicionais, como o petróleo. Ela explicou que os derivativos estão dominando as negociações, e a maioria das empresas usa contratos em papel para especular sobre o preço do petróleo, tornando todo o mercado impulsionado pela especulação.

Chegando ao ponto, ela explicou que quanto mais o Bitcoin se torna um ativo investível, “mais o preço é dissociado de seu valor, de sua oferta e demanda”.

O mérito no argumento

Há muito mérito no argumento de Demirors. Os derivativos de Bitcoin, aqueles em particular que são liquidados em dinheiro, representam uma opção para os investidores receberem exposição ao seu preço sem ter que possuir o Bitcoin. Eles não precisam se preocupar com armazenamento e proteção.

Isso, entretanto, diminui a demanda. Como as pessoas podem negociá-lo sem possuí-lo, não precisam comprar Bitcoins reais, o que pode tornar obsoletos os princípios de oferta e demanda básicas.

Mas também vale a pena notar que já vimos avanços na entrega física de Bitcoins. Bakkt foi o primeiro grande local a fazê-lo de forma regulamentada, permitindo que os investidores trabalhem com futuros de Bitcoin entregues fisicamente.

Naturalmente, o volume desses contratos é praticamente inexistente em comparação com o volume de futuros de Bitcoin liquidados em dinheiro em bolsas como CME, BitMEX, Binance, OKEx e assim por diante.

Mas existe outro lado

Embora todas as opções acima sejam, sem dúvida, um ponto legítimo a considerar, também vale a pena notar a escassez de Bitcoin. De fato, o comércio de derivativos interrompe os efeitos da oferta e da demanda, mas há mais no Bitcoin do que apenas isso.

Pela primeira vez, acumular mercadorias físicas, como petróleo e ouro, é caro em termos de entrega, seguro e armazenamento. O custo de manter o Bitcoin ou outras mercadorias digitais, por falar nisso, é quase inexistente. Assim, à medida que a demanda da BTC cresce, os investidores precisam passar por barreiras consideravelmente mais baixas para adquiri-las e mantê-las em segurança.

A oferta finita do Bitcoin também é algo a ser considerado. É o primeiro objeto digital escasso do mundo, e isso deve ser levado em consideração. Afinal, existem mais de dez cidades no mundo em que, se uma pessoa quisesse possuir um Bitcoin inteiro, ele não seria capaz, porque a população dessas cidades é maior que o número de Bitcoins que já existiriam.

Fonte: CryptoPotato

Foto de Marcelo Roncate
Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader desde 2017. Aficionado por tecnologia e entusiasta das criptomoedas, viu no WeBitcoin a oportunidade de unir duas paixões.