Robôs estão a serviço do RH de várias empresas

Uso de inteligência artificial ajuda a poupar tempo em processos seletivos

Com o desemprego atingindo 12,6 milhões de brasileiros, segundo levantamento do IBGE referente ao segundo trimestre de 2019, não é difícil imaginar a quantidade de currículos enviados para cada vaga aberta no país. Mas botar pessoas para fazer a triagem inicial dos candidatos é coisa do passado: cada vez mais, robôs estão a serviço do RH das empresas, tanto no Brasil quanto no exterior.

O maior banco de Singapura, por exemplo, conta com um chatbot chamado Jim – abreviação de Job Intelligence Maestro – para selecionar os candidatos mais adequados à função de planejador financeiro, que atua na área de gestão de grandes fortunas. Segundo Susan Cheong, diretora de aquisição de talentos da instituição, cerca de 30% das pessoas escolhidas por Jim acabaram sendo contratadas.

No Brasil, há robôs recrutadores a serviço de empresas como Ambev, Gol, KPMG, Kraft Heinz e L’Óreal. Uma das firmas atuantes nesse mercado é a Gupy, que usa um robô chamado Gaia para cruzar informações de currículos com as características do perfil desejado pelos futuros empregadores. Outra é a startup MatchBox, que trabalha com a Vicky, chatbot responsável pela inscrição de candidatos, e o Watson, plataforma de computação cognitiva criada pela IBM.

Já a rede de hotéis Hilton Worldwide vai além: depois que um sistema de rastreamento pesquisa currículos por palavras-chave que correspondam à descrição da vaga, um chatbot faz uma série de perguntas para ter certeza de que a pessoa atende aos requisitos exigidos. A etapa seguinte é uma entrevista, feita com um aplicativo de inteligência artificial chamado HireVue. Os candidatos gravam vídeos respondendo a uma lista de perguntas e o algoritmo analisa não só as palavras ditas, mas a voz e o rosto do participante.

Nem tudo é perfeito

Mas os robôs a serviço das empresas também cometem erros. Entre 2014 e 2017, a Amazon treinou um algoritmo com informações referentes à contratação de funcionários nos dez anos que antecederam os testes. Conforme o sistema foi percebendo que mais candidatos do sexo masculino haviam sido efetivados, passou a diminuir a classificação de tudo que fizesse referência a termos femininos. A palavra “mulher” em campos como gênero, por exemplo, fazia com que a pessoa fosse rebaixada pelo robô e tivesse menos chances de avançar no processo seletivo. Os desenvolvedores tentaram resolver o problema, mas não tiveram um resultado satisfatório e o algoritmo foi cancelado.

* Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

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Foto de Simone Gondim O autor:

Jornalista, revisora e roteirista, apaixonada por tecnologia e especializada em conteúdo.

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